Loja comercializa produção de artesãos

Funcionando há um mês, na Vila Madalena, em São Paulo, a loja Mundaréu é a primeira no país criada para promover o comércio justo (fair trade) e está possibilitando a comercialização da produção de 25 associações de artesãos de 15 estados brasileiros. São brinquedos, roupas, móveis, objetos de decoração e papelaria - na maior parte produzidos a partir de materiais naturais ou reciclados -, com condições de trabalho favoráveis e uso sustentável dos recursos naturais.Projeto da Associação Mundaréu, organização não-governamental voltada para a promoção do comércio justo e incentivo às comunidades, a loja é um canal para escoar o trabalho de índios, comunidades tradicionais, deficientes mentais, além de grupos de mulheres, jovens e idosos. ?Além de visarmos a geração de renda, promovemos a qualificação dos grupos para criação, desenvolvimento e vendas, tornando seus produtos mais competitivos?, explica Isabel Fernandes, responsável pela administração e comunicação do projeto.Através do projeto, as associações recebem assessoria de artistas plásticos e designers voluntários, e o acompanhamento de estagiários para ajudar no desenvolvimento de produtos. ?Fazemos também um trabalho de conscientização ambiental, para que façam a retirada de matéria-prima de forma sustentável. Muitos dos grupos, porém, já têm esse tipo de formação ou parcerias nesse sentido com outras ONGs?, diz Isabel.A loja foi viabilizada com o apoio da Fundação Telefônica, através de um programa de geração de renda voltado para mulheres chefes de família. A doação de R$ 236 mil possibilitou a montagem da loja, o trabalho de localização dos grupos e a contratação dos estagiários. Além disso, foi criado um fundo de capital de giro, cuja gestão é feita com representação das associações. ?O objetivo do fundo é que as compras deixem de ser consignadas, como acontece nesta primeira fase. Em alguns casos, porém, estamos fazendo adiantamento para matéria-prima. O grupo gestor irá decidir também os investimentos, como a compra de ferramentas ou maquinário para um determinado grupo?, explica.A projeto firmou uma parceria, ainda, com alunos da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), para capacitação em formação de preço e pesquisa de mercado. Os 11 grupos de São Paulo participarão de oficinas e os 14 de outros estados receberão material didático. A idéia é conseguir parcerias para capacitar os artesãos também em contabilidade, planejamento, acesso ao crédito e marketing.Segundo Isabel, o objetivo é que cada grupo ou associação participe do projeto por três anos e consiga, neste período, capacidade para se inserir no mercado formal, abrindo espaço para novos artesãos. ?A loja funciona também como um showroom para oportunidades de negócios, como a confecção de brindes para empresas?.ProdutosEntre os produtos comercializados, há móveis feitos da palmeira buriti, no Vale do Matutu, em Minas Gerais, e produtos de piaçava, de Porto de Sauipe, na Bahia. Ainda da Bahia, há tapetes e objetos de decoração de sizal, confeccionados por mulheres de Valente, com a garantia de não ter mão-de-obra infantil. De Urucureá, na região de Santarém (Pará), vêm cestos e jogos americanos de tucumã, com corantes de árvores da região. Índios do Xingu, das etnias caiabi, suiá e yudja produzem cestarias, bijuterias e objetos de decoração.O trabalho da Mundaréu intermedia, para todos os produtores, a doação de matéria-prima, como retalhos de tecidos ou restos de madeira certificada. Esse material é usado em produtos como bolsas de retalhos, com motivos de bichos do Pantanal, produzidas por jovens de Chapadão do Céu, em Goiás, ou peças de marcenaria e marchetaria produzidas por jovens de São Mateus, na periferia de São Paulo. ?Os 27 jovens do grupo de São Mateus recebiam uma bolsa de R$ 50,00 por mês e, com a loja, passaram a receber R$ 150,00?, conta Isabel.Serviço: O endereço da Mundaréu é rua Mourato Coelho, 988, Vila Madalena, São Paulo (SP).

Agencia Estado,

17 de julho de 2002 | 15h50

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