REUTERS/Paulo Whitaker
REUTERS/Paulo Whitaker

Lua demora a aparecer, mas eclipse encanta paulistanos

Paulistanos se reuniram no Parque do Ibirapuera para ver o eclipse e a aproximação de Marte com a Terra

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

27 Julho 2018 | 20h04
Atualizado 28 Julho 2018 | 15h56

No Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, a esperada “lua de sangue” praticamente não deu as caras nesta sexta-feira, 27, porque as nuvens encobriam o horizonte no momento mais especial do eclipse lunar. Mas às 18h25, quando tudo indicava que as centenas de pessoas que foram ao local para observar o fenômeno sairiam frustradas, a Lua cheia surgiu de repente no céu parcialmente eclipsada e deslumbrou os paulistanos. 

“Quando ela apareceu, deu a impressão de uma Lua normal, como a beirada branca de um círculo. Mas, de repente, vimos crescendo, muito rapidamente, até ficar cheia. Superinteressante”, contou a engenheira Karla Alves, de 26 anos. Esse eclipse lunar foi o mais longo do tipo de todo o século 21. 

Minutos antes de a Lua surgir, a professora de Inglês Marlene Andreetto e Yasmin Andrade, de 11 anos, já começavam a ficar decepcionadas. As duas estavam em uma fila de cerca de 500 pessoas, que esperavam para observar outro fenômeno especial – Marte na maior aproximação com a Terra dos últimos anos. A direção do Planetário de São Paulo, dentro do parque, instalou três telescópios nesta sexta. “Viemos pelo eclipse, mas nos disseram que ia ser difícil de ver, então entramos na fila para ver Marte”, disse Marlene. 

Mesmo após a Lua aparecer sobre árvores e nuvens, Yasmin parecia mais fascinada com outros astros. “Nós vimos Vênus, estamos vendo Júpiter lá no alto e Marte perto da Lua. Não sabia que dava para ver os planetas assim, sem telescópio.”

Os curiosos pelos astros descobriram que, mesmo no poluído céu paulistano, é possível observar a olho nu vários planetas – como Marte, Vênus, Júpiter e Saturno. “Nunca soubemos disso. Quero aprender a localizar (os planetas)”, disse a publicitária Giuliana Lopes.

Foi exatamente para despertar esse fascínio que o Planetário instalou os três telescópios de 300 milímetros. “Esses fenômenos chamam a atenção das pessoas e as fazem olhar para o céu e pensar na vida e no Universo, a se conectarem novamente com a natureza por um momento”, explicou Fernando Nascimento, diretor do Planetário de São Paulo. “E se perguntam por que isso acontece e se dão conta de que estamos em um planeta viajando pelo espaço. Precisamos aproveitar esses momentos em que todos estão tão sensíveis para divulgar a ciência.” 

Pelo País e o mundo. No Rio, dezenas de cariocas se reuniram na Praia da Copacabana, zona sul, para tirar fotos. Quem estava mais perto do litoral brasileiro viu melhor o fenômeno.

O eclipse não foi visível nos Estados Unidos, no Canadá, no México e na maior parte da América Central. Em outros pontos do globo, as condições climáticas definiram a visibilidade. Em países como Grécia e Egito, foi possível ver a “lua de sangue” com nitidez. 

A Nasa, agência espacial americana, transmitiu ao vivo pelo site. No Twitter, entre publicações fascinadas e xingamentos contra as nuvens que atrapalhavam a visibilidade, o eclipse ficou entre os assuntos mais comentados na noite desta sexta. 

 

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