REUTERS/Rodrigo Garrido
REUTERS/Rodrigo Garrido

Lua volta a despertar interesse e pode abrigar 'cidade robótica'

Pouso de sonda chinesa na face oculta indica de que emergentes na corrida espacial estão de olho no satélite

Redação, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2019 | 10h00

Cinquenta anos depois que o homem pisou na Lua pela primeira vez, o satélite natural da Terra volta a despertar interesse em 2019 entre os países com intenções espaciais. A China se tornou na quinta-feira, 3, a primeira nação a "alunissar" na face oculta e inexplorada do astro, confirmando assim seu novo posto de potência espacial.

É a segunda vez que a China envia um módulo para explorar a superfície lunar depois do Yutu (Coelho de Jade) em 2013, que ficou ativo por 31 meses. A sonda "Chang'e-4" pousou na bacia de Aitken. Seu robô móvel, Yutu-2, começou a se deslocar sobre a superfície, invisível para os terráqueos. "Independentemente do que os chineses descubram, o impacto científico será significativo", disse Michel Viso, da agência espacial francesa CNES.

Durante este ano, a China prevê lançar outra sonda ("Chang'e-5") para extrair amostras do solo e trazê-las à Terra. Até agora, só três países conseguiram pousar na Lua, situada a cerca 384 mil quilômetros da Terra: Rússia, Estados Unidos e China. E doze astronautas americanos caminharam sobre o satélite em seis missões entre 1969 e 1972.

A Índia é um dos países que espera se juntar ao clube enviando a missão Chandrayaan-2, que incluirá um trem de aterrissagem, um robô móvel indiano e "um minirrobô europeu construído na Holanda", explicou Bernard Foing, astrofísico da Agência Espacial Europeia (ESA).

Espera-se que a missão seja lançada pela agência espacial indiana em fevereiro, segundo o especialista, que é diretor do grupo de trabalho internacional de exploração lunar. A Índia já tinha enviado uma primeira missão (Chandrayaan-1) para orbitar ao redor da Lua em 2008.

Israel também quer entrar na corrida espacial, com um alunissador Beresheet de 150 kg fabricado pela empresa privada israelense SpaceIL, uma das finalistas do concurso internacional Google Lunar X Prize (GLXP). Nesse concurso, as equipes competidoras tinham que demonstrar sua capacidade de pousar na Lua um robô móvel antes de 31 de março de 2018.

A competição terminou sem vencedor e sem cerimônia de entrega do prêmio final. Mas a SpaceIL continuou as pesquisas. A previsão é de que seu robô seja lançado em fevereiro por um foguete Falcon 9 da empresa americana SpaceX.

"O objetivo da missão é demonstrar que Israel é capaz de alunissar, soltar na Lua um robô e obter conhecimento científico e cultural", explicou Foing. "2019 será um ano chave para a exploração lunar."  Depois das missões nos anos 2000, se inicia uma nova etapa. "É o começo de uma cidade robótica na Lua, com máquinas lançadas por novos países e diferentes tipos de atores, especialmente comerciais."

O Japão prevê lançar um pequeno alunissador, chamado SLIM, por volta de 2020-2021, para estudar uma zona vulcânica do solo lunar. Por sua vez, a Rússia continua trabalhando na missão robótica "Luna 27" para explorar a região gelada do polo sul em alguns anos com ajuda europeia.

Já os Estados Unidos celebram este ano o cinquentenário dos primeiros passos de Neil Armstrong e Buzz Aldrin na Lua, em 20 de julho de 1969. Em 2017, o presidente Donald Trump assinou uma diretiva que pede à Nasa para voltar à Lua, como primeira etapa antes de ir a Marte.

A nave espacial americana Orion, fabricada por Lockheed Martin, tem previsão de realizar um voo automático ao redor da Lua até 2020. Além disso, prevê embarcar quatro astronautas em 2023 em uma viagem de ida e volta de oito dias ao redor do satélite. A Nasa ainda anunciou em dezembro ter escolhido nove empresas privadas para construir trens de aterrissagem para mandar material à Lua. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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