Luta contra aquecimento deve dimunuir pecuária na Amazônia

Segundo estudo, pecuaristas não terão como resistir à pressão internacional e às ações governamentais

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

13 de janeiro de 2009 | 20h21

A pressão contra a emissão de gases que provocam o efeito estufa resultante das queimadas para limpar o solo antes do plantio de pastagens deverá reduzir as áreas de pecuária na Floresta Amazônica, prevê o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). De acordo com o instituto, a pecuária tem sido a principal responsável pelo desmatamento e queimadas, lançando mais de 50% da emissão de CO2 na atmosfera.  Veja também:Stanford cria centro de pesquisa para combate ao aquecimento Chu promete política agressiva contra mudanças climáticas O estudo, produzido pelos cientistas Paulo Barreto, Ritaumaria Pereira e Eugênio Arima, do Imazon, conclui que os pecuaristas não terão como resistir à pressão internacional e às ações governamentais.  Em dezembro, o governo brasileiro anunciou a meta de reduzir o desmatamento na Amazônia em 72% até 2017, como parte do Plano Nacional sobre Mudança no Clima. Segundo o plano, o total da redução seria escalonado em três quadriênios até 2017: 40%, 30% e 30%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1990 e 2005 o rebanho bovino brasileiro aumentou cerca de 40% - de 147 milhões para 207 milhões de cabeças. Isso possibilitou que em 2004 o Brasil se tornasse o maior exportador mundial de carne bovina. Grande parte desse aumento ocorreu na Amazônia - de 26 milhões (18% do total nacional)para 73 milhões (36% do total)-, o que aumentou a preocupação de organizações defensoras do meio ambiente e do próprio governo, pois recrudesceu também o desmatamento de novas áreas para pasto. Com a pressão contra os gases de efeito estufa, a tendência será um crescimento menor na derrubada, acredita o Imazon.  A participação da Amazônia nas exportações de carne brasileiras cresceu expressivamente entre 2000 e 2006, passando de 6% (10 mil toneladas) para 22 % do total (263,7 mil toneladas).  Fim do desmatamento O presidente da Comissão do Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Assuero Veronez, contesta o Imazon. Para ele, a tendência não será a redução no tamanho das áreas de pasto, mas a recuperação de áreas degradadas que servirão paras novas pastagens. Ele acha que a produção de carne na Amazônia deve continuar em alta, porque serve para evitar o aumento do preço da carne. Para Veronez, o desmatamento, de fato, deverá acabar. "É óbvio que o desmatamento tende a diminuir, em função de uma série de razões, principalmente por causa do aparato estatal que hoje está envolvido no combate à derrubada e à consciência dos agricultores contra as práticas ilegais. Hoje há da parte dos produtores disposição de não desmatar mais", disse. Veronez acha que no futuro o desmatamento será residual, de cerca de 4 mil quilômetros anuais, exclusivamente para a agricultura familiar.  Veronez disse que as entidades envolvidas com o meio ambiente têm por hábito aumentar os números de tudo o que se refere a desmatamento. "Falam aí em vários porcentuais, em até 75% de emissão de gases por causa de queimadas na Amazônia, baseando-se em cálculos do tempo em que o desmatamento era de 28 mil quilômetros quadrados. Hoje, é de 12 mil quilômetros quadrados. E acabará."

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