Maciço da Tijuca pode ter só 6% de verde em 90 anos

O Maciço da Tijuca, que abriga uma das maiores florestas urbanas do mundo, terá apenas 6,8% de sua área verde original daqui a 90 anos se for mantido o ritmo de desmatamento e urbanização desordenada das duas últimas décadas. A conclusão é do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Jesus Baca, que apresentou tese de doutorado sobre o tema no Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Engenheiro cartógrafo, Baca desenvolveu um programa de computador que faz projeções sobre a ocupação do maciço e a evolução do desmatamento, a partir de mapas de uso e cobertura do solo da Floresta da Tijuca dos anos de 1972, 1984 e 1996. Ele simulou variações a cada período de 12 anos - nos gráficos apresentados, é alarmante o avanço das áreas vermelhas (urbanas) sobre as verdes (de floresta). Em 1972, 51,18% do maciço era tomado por floresta nativa, e a área urbana ocupava 13,78% - são listadas no estudo outras categorias, como gramíneas, florestas secundárias, solo exposto, pedreiras e rochas. Em 1984, a área urbana cresceu para 18,17% e a de floresta caiu para 46,05%. Em 1996, a área urbana ocupava 23,37%, e a de floresta, apenas 35,81%. No cenário mais pessimista, projetado com base no ritmo de devastação entre 1984 e 1996, a área urbana crescerá 61,31% e a de floresta será reduzida para 6,85% até 2092. "Se há problemas, precisamos enfrentá-los. A sociedade me pagou para estudar. Espero que haja bom senso dos políticos e da própria sociedade para evitar que essa previsão se concretize." O estudo pode ser aplicado em outros casos e simular, por exemplo, a situação da Amazônia nas próximas décadas. A tese completa pode ser lida no endereço www.cnps.embrapa.br/paisagem.

Agencia Estado,

24 de julho de 2003 | 12h27

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