Madeireiros cercam agentes do Ibama em Medicilândia e Altamira

Madeireiros estão reagindo com violência a uma operação contra o corte ilegal de madeira, no Pará. Agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e um jornalista foram cercados por madeireiros, ontem, num hotel de Medicilândia, cidade localizada à beira da rodovia Transamazônica, permanecendo várias horas como reféns. Um helicóptero do Ibama foi deslocado para o local e também ficou retido. Os manifestantes só permitiram a retirada dos agentes, com o helicóptero, depois que a Polícia Federal deslocou uma equipe para o local.De acordo com a delegada Ohara Costa Fernandes, da Polícia Federal, hoje, os manifestantes cercaram também o prédio do Ibama em Altamira. ?Por enquanto, a PF está apenas observando e considera que não há necessidade de intervir, como ontem?, disse, por telefone, à Agência Estado. Há informações de que os manisfestantes já seriam mais de dois mil.Os agentes do Ibama estão na área para fiscalizar a exploração ilegal de madeira no entorno e no interior de uma área reivindicada por ribeirinhos de Porto de Moz para a criação da reserva extrativista ?Verde para Sempre?, que vai beneficiar milhares de comunitários da região. A implementação da reserva conta com o apoio da entidade ambientalista Greenpeace, que está na região com o barco Artic Sunrise. ?Os acontecimentos de hoje comprovam que o Pará é realmente um estado que parece estar à margem da lei, como divulgado em nosso relatório Pará, Estado de Conflito no final de outubro?, disse, em nota à imprensa, Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace. ?A reação dos madeireiros mostra que a operação do Ibama na região de Porto de Moz e na Transamazônica está sendo eficiente. No entanto, a ilegalidade relacionada à ocupação de terras públicas e à exploração dos recursos naturais no Pará exige mais do que o esforço do Ibama ? exige também a presença permanente do poder do Estado na região. Isso só poderá ocorrer com o fortalecimento institucional e da capacidade operacional do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e da própria Polícia Federal. E inclui a parceria entre os povos da floresta e os órgãos públicos na proteção do patrimônio amazônico através da criação de reservas extrativistas, como a Verde para Sempre, em Porto de Moz e a Renascer, em Prainha.?

Agencia Estado,

20 de novembro de 2003 | 16h56

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