Madeireiros do Pará protestam contra Ibama

A rodovia Transamazônica foi bloqueada hoje por madeireiros do sudoeste do Pará, que atravessaram 90 caminhões e máquinas agrícolas nos sentidos Altamira-Santarém e Altamira Marabá num protesto contra a fiscalização do Instituto Brasileirodo Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a presença do movimento ambientalista Greenpeace na região. Empresários e comerciantes de Altamira apoiam a manifestação e fecharam 95% das lojas da cidade. "O Ibama está nos impedindo de trabalhar", dizia uma das faixas de protesto. Outra, mais contundente, arrematava: "fora do Pará, Greenpeace". O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras da Transamazônica, Luiz Bossatto, informou que mais de 1.500 trabalhadores do setor estão parados desde a última quinta-feira, quando começaram os protestos. No começo da tarde, vários ônibus com mais de 400 empregados de madeireiras de Uruará e Anapu reforçaram o bloqueio. Bossatto disse que a suspensão imediata das fiscalizações, que ele enfatiza estarem sendo "realizadas pelo Greenpeace, com apoio do Ibama", é uma exigência dos madeireiros. Eles também cobram do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a agilidade na liberação de documentação que legaliza as terras para a realização dos planos de manejo. "Só assim, poderemos exercer nossa atividade dentro da legalidade", admite. O presidente da Associação das Industrias Madeireiras de Altamira, Renato Mengoni, viajou para Brasília, onde participa, nesta terça-feira, de uma audiência com o secretário adjunto do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo. "Há muito tempoestamos pedindo uma aproximação maior com o setor florestal do governo e uma regularização da questão fundiária, ações positivas urgentes", emenda o presidente da União das Entidades Florestais do Pará (Uniflor), Wagner Kronbauer. A ameaça de desemprego no setor madeireiro aumenta a cada dia, explica o diretor executivo da Associação das Indústrias Madeireiras Exportadoras do Pará (Aimex), Roberto Pupo. Para ele, a legislação fundiária e ambiental são incompatíveis com a realidade da Amazônia. "Há falta total de estrutura e conhecimento desta realidade por parte do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama". A direção do Ibama em Brasília promete manter seus fiscais na Transamazônica e garante que está tomando providências para garantir a integridade física dos agentes durante o trabalho de apreensão de madeira extraída ilegalmente. O Greenpeace também não pretende sair da região. E diz que sua missão não é a de fiscalizar, mas tão somente acompanhar o trabalho do Ibama.

Agencia Estado,

24 de novembro de 2003 | 18h42

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