Mais 22 crianças estão contaminadas com chumbo em Bauru

Já são 26 as crianças contaminadas com o chumbo expelido pelas chaminés dos fornos da Indústria de Acumuladores Ajax, uma das maiores fábricas de baterias automotivas do País. Além de quatro casos identificados na semana passada, 22 outras crianças, de um grupo de 30 que ofereceram sangue para a análise, apresentaram concentração de chumbo superior aos 10 microgramas por decilitro, estabelecidos como limite máximo tolerável pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas os números deverão subir, pois ainda existem outras 92 amostras de sangue de crianças de até 12 anos, residentes no raio de um quilômetro da fábrica, cujos resultados da análise serão conhecidos nos próximos dias. Segundo Affonso Viviani, diretor técnico substituto da Divisão Regional de Saúde (DIR-10), as crianças contaminadas estão passando por exames neurológicos para definir que tipo de tratamento receberão. Isso porque alguns dos medicamentos para a desintoxicação causam efeitos colaterais. Com a presença de alta concentração de chumbo no organismo, as crianças podem desenvolver o saturnismo, um envenenamento agudo provocado pela substância ou derivados dela, que pode levar à morte.O setor metalúrgico, onde trabalham 100 dos mil empregados da empresa, está parado desde o final de janeiro, quando a Cetesb constatou a contaminação na região e exigiu novos equipamentos antipoluição para autorizar a volta da produção. Também pesa sobre a Ajax uma sentença de um juiz de Bauru, que proíbe o funcionamento da área metalúrgica e indisponibiliza os bens da empresa e de seus sócios, para que respondam com a reparação de danos que vierem a ser apurados.A DIR-10 requisitou à Cetesb a coleta de amostras do solo em 20 pontos diferentes na região próxima à fábrica, para verificar também os níveis de contaminação da área. As autoridades municipais da saúde, que também trabalham no caso, constataram que o chumbo ainda contaminou o leite, os ovos e a hortelã produzidas nas chácaras próximas à indústria. Os chacareiros foram orientados a não consumir esses produtos, matar as aves e remover os bovinos para outras propriedades, colocando-os em quarentena até que saia o resultado da análise do solo.

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