Mais rápido, impossível

 Imagine só: a velocidade da luz no vácuo é de 300 mil quilômetros por segundo. Dá para imaginar o que é isso? É um absurdo de rápido! Aqui vai um exemplo prático que ilustra isso, aproveitando a inauguração do Large Hadron Collider (LHC), o super-mega-gigantesco acelerador de partículas da Organização Européia para Pesquisas Nucleares (Cern), que entrou em funcionamento esta semana (dia 10). O LHC é formado por um anel de 27 km de circunferência, dentro do qual aglomerados de prótons serão acelerados a 99,99% a velocidade da luz. (Os prótons, para quem não se lembra, são aquelas partículas de carga positiva que ficam dentro do núcleo dos átomos, agarradinhos com os nêutrons.)  Isso é tão veloz, mas tão veloz, que, quando a máquina estiver funcionando a todo vapor, cada próton dará 11 mil voltas por segundo no anel. Dá para imaginar o que é isso? Pois bem: imagine que o próton é um carro de Fórmula 1 e o anel do LHC é uma daqueles circuitos ovais, com 27 km de pista. A 99,99% a velocidade da luz, esse carro estará viajando a uma velocidade tão alta, mas tão alta, que se você ficasse parado na beira da pista observando uma corrida ele passaria por você 11 mil vezes em um único segundo!  Dá para imaginar uma coisa dessas? Não dá, né? Eu mesmo tive que reler esse cálculo do Cern algumas vezes para ter certeza de que eles não tinham digitado um "mil" a mais depois do 11. Mas é verdade. Outro exemplo: imagine que você está na sua casa ao lado de um interruptor que acende a luz do quarto. Só que, sem você saber, o fio elétrico por trás da parede dá uma volta ao mundo (40 mil km) antes de chegar até o abajur no teto. Pois bem: se o impulso elétrico acionado pelo interruptor viajasse à velocidade a luz, o abajur ainda assim acenderia instantaneamente (dentro dos limites da percepção humana), mesmo tendo que dar uma volta ao mundo para isso. Já pensou se entregassem pizza nessa velocidade? E o mais incrível é que, enquanto nós precisamos construir uma máquina super-ultra-mega complexa de US$ 8 bilhões para produzir uma velocidade dessas, a natureza faz isso sem maiores dificuldades, o tempo todo, pelo Universo.  Toda a luz das estrelas que chega até nós do espaço está viajando a 300 mil km/s. Os fótons de luz produzidos pelo Sol, por exemplo, levam só oito minutos para percorrer os 150 milhões de km que separam a superfície solar da superfície terrestre. Quando eles saem do vácuo espacial e entram na atmosfera da Terra a velocidade diminui um pouco, por causa da colisão com as partículas do ar, mas nada que faça diferença para nós. (para mais detalhes, veja o artigo que publiquei em 19-03-2008: A boa e velha luz do Sol) Mais incrível ainda é que o nosso universo é tão grande, mas tão grande, que mesmo viajando a essa velocidade espantosa, algumas estrelas e galáxias estão tão distantes que a luz delas leva bilhões e bilhões de anos para chegar até nós. Dá para imaginar um negócio desses? Não dá. Mas é fato! (para mais detalhes, veja meu artigo de 17-04-2008: Rumo ao passado, à velocidade da luz.) A velocidade da luz no vácuo é o limite máximo de velocidade de qualquer coisa que se move no universo. É o que dizem as leis da física de Einstein.  Pense nisso a próxima vez que acender a luz. LINKS: Esse site montado pelo meu colega Carlos Orsi, do estadao.com.br, tem várias informações e links interessantes sobre o LHC.

12 de setembro de 2008 | 14h03

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