Mais um sacerdote lefebvriano questiona o Holocausto

Representante da corrente católica ultraconservadora disse que câmaras de gás eram usadas para 'desinfetar'

EFE,

29 de janeiro de 2009 | 15h07

O líder dos lefebvrianos no nordeste da Itália, o sacerdote Floriano Abrahamowicz, voltou a defender teses revisionistas sobre o Holocausto, ao afirmar que a "única coisa certa sobre as câmaras de gás é que foram usadas para desinfetar".   Veja também:  Vídeo: A polêmica entrevista do bispo Williamson Rabinato de Israel rompe relações com a Santa Sé Papa divide Vaticano ao reabilitar bispo que nega o Holocausto Grupo católico pede desculpas por membro que negou o Holocausto Em meio à polêmica causada pelo bispo britânico Richard Williamson, que acabou de ter sua excomunhão revogada, Abrahamowicz disse hoje ao jornal italiano La Tribuna que "junto com a versão oficial (sobre o número de mortos) existe outra baseada nas observações dos primeiros técnicos aliados que entraram nos campos (de extermínio)".   Os lefebvrianos são seguidores do bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), um ultraconservador que rejeitava a modfernização da Igreja Católica promovida pelo Concílio Vaticano II. Quatro bispos sagrados por Lefebvre nos anos 80,  sem o consentimento do então papa João Paulo II, estavam excomungados e foram  reabilitados por Bento XVI. Entre eles, Richard Williamson, que deu declarações negando o extermínio de judeus pelos nazistas.   "Não sei se as vítimas morreram pelo gás ou por outros motivos. Não sei, de verdade. Sei que as câmaras de gás existiram pelo menos para desinfetar, mas não sei dizer se também mataram ou não, pois não me aprofundei sobre o tema", declarou.   Sobre a afirmação de terem sido seis milhões os mortos pelos nazistas, o sacerdote disse que "não a coloca em dúvida", que basta que uma pessoa seja assassinada injustamente que já é demais, "é como dizer que um é igual a seis milhões".    "Falar de números não muda nada com relação à essência do genocídio, que é sempre um exagero", acrescentou o sacerdote, que afirmou que estes números "derivam do que o chefe da comunidade judaica alemã disse às tropas anglo-americanas após a libertação".    Segundo ele, o chefe judeu "soltou um número no meio do ardor". O padre se perguntou "como podia saber este número".   Abrahamowicz acrescentou que a crítica que pode ser feita é "sobre o modo como foi administrada a tragédia do Holocausto, à qual se deu uma supremacia em relação a outros genocídios".   "Caso o monsenhor Williamson tivesse negado o genocídio de 1,2 milhão de armênios por turcos os jornais não teriam falado como estão fazendo", declarou Abrahamowicz, que citou também "a ordem dada por Winston Churchill de bombardear Dresden (Alemanha) com fósforo".   Alemanha   O Conselho Central dos Judeus da Alemanha comemorou as críticas feitas na quarta-feira, 28, pelo papa Bento XVI às teses que negam o Holocausto. A manifestação do papa surgiu em meio ao mal-estar gerado pela reabilitação, pelo Vaticano, do bispo Williamson. Mas a comunidade judaica alemã pediu que as palavras do líder católico se convertam em ações concretas.   "As declarações (do papa) nos alegram, mas nos falta a fé na seriedade com que o Vaticano vai pô-las em prática", disse o secretário-geral do Conselho, Stephan Kramer, segundo a agência DPA.

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