Mancha tóxica pode atingir as praias do Espírito Santo

A mancha tóxica com rejeitos químicos que vazaram de um reservatório da fábrica de papel Cataguazes, em Minas, deixou um rastro de destruição na foz do Rio Paraíba do Sul e pode atingir nos próximos dias praias do Espírito Santo. Além de peixes de diferentes espécies e tamanhos, cobras, crustáceos, cavalos, lontras, bois e bezerros foram encontrados mortos hoje na margem do rio. Após percorrer sete municípios fluminenses e destruir a fauna do Rio Pomba, a mancha negra chegou à praia de Atafona, em São João da Barra, onde o Paraíba deságua.O diretor de proteção ambiental do Ibama, Flávio Montiel, afirmou que a contaminação já atinge uma extensão de 10 quilômetros ao longo da orla e cerca de 20 quilômetros em direção ao alto-mar. Segundo ele, a mancha deverá afetar nos próximos dias pelo menos 30 praias da região, podendo chegar inclusive ao município de Macaé. Os 32 quilômetros das cinco praias de São João da Barra, município vizinho de Campos, foram interditados. Pescadores contaram que a crosta densa de espuma alcançava uma distância de cerca de 20 quilômetros do continente, no município de São Francisco de Itabapoana, que fica ao lado de São João que faz divisa com o Espírito Santo. Córregos e manguezais da região até então não atingidos recebiam rejeitos químicos levados pelo mar.Fiscais da vigilância sanitária apreenderam hoje 114 quilos de robalo supostamente contaminado pela mancha tóxica que seriam comercializados em pontos de venda de pescado em São João da Barra. Toda a carga apreendida será encaminhada para análise em um laboratório estadual no Rio de Janeiro.O diretor de Saúde Coletiva do município, Pedro Ernesto Simão, afirmou que um caminhão repleto de peixes que estariam contaminados tentou seguir durante a madrugada de quinta-feira em direção ao Rio, mas teria sido apreendido. Segundo o diretor, não há casos de pessoas contaminadas notificados no município, de 30 mil habitantes.O superintendente do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, disse que serão disponibilizados dois navios - um do Ibama e outro, possivelmente, da Marinha - para impedir a pesca no local atingido pela mancha.

Agencia Estado,

04 de abril de 2003 | 19h00

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