Manejo de xaxim pode viabilizar recomposição da Mata de Araucária

O aproveitamento racional do xaxim - uma espécie nativa das florestas do sul do País ? pode favorecer a recomposição da Mata de Araucária, cujos últimos remanescentes hoje se encontram ameaçados por derrubadas ilegais e pela lenta degradação, derivada de práticas agropecuárias inadequadas. O xaxim (Dicksonia sellowiana) é utilizado na fabricação de vasos e suportes para orquídeas e bromélias ou outras plantas ornamentais. Cresce e se regenera com facilidade no seu ambiente natural, desde que esteja sombreado pela mata, sobretudo onde há umidade e ocorrem os pinheiros brasileiros (araucárias).Desde a edição do decreto 750 - de 1993, que protege os remanescentes de Mata Atlântica - sua exploração só pode ser feita com plano de manejo. Mas a falta de regras claras para estes planos de manejo criou entraves burocráticos para o extrativismo e gradativamente conduziu a atividade para a ilegalidade.Desvalorizado, o xaxim passou de produto de exportação para fonte de problemas com a fiscalização. ?Quando ficou difícil de aprovar os planos de manejo, muitos proprietários de terras da região serrana de Santa Catarina passaram a criar gado. As pastagens são implantadas debaixo das araucárias, que não podem ser cortadas. Quer dizer, as árvores adultas permanecem em pé, mas as novas mudas e os brotos do xaxim são comidos pelo gado, vão enfraquecendo e acabam morrendo?, diz Pedro Furlan, antigo exportador de xaxim do município de Urubici. Entre 1978 e 1994, ele chegou a manejar 30 fazendas de xaxim, num total de 2.200 hectares, tendo exportado vasos para a Holanda, França, Itália, Portugal, Uruguai, Chile e Estados Unidos.?Se voltássemos a fazer manejo, com regras garantindo a sustentabilidade e com certificação, eliminaríamos o mercado clandestino e triplicaríamos o valor do xaxim?, calcula Furlan. ?Com isso, a floresta teria mais valor do que o gado e seria interesse do proprietário manter e recompor a Mata de Araucária, porque ela garantiria a sombra para o xaxim?. Segundo ele, o xaxim rebrota a partir de pedaços do tronco ou da ponta cortada, quando se faz a exploração. ?Nem precisa plantar com muito cuidado, basta escolher um local com uma certa luminosidade, ali mesmo, onde se retira a planta adulta, e ele vai sozinho?, diz, enquanto vai mostrando o vigor das plantas nativas, num trecho de floresta de sua propriedade, com 100 hectares, localizada no limite do Parque Nacional de São Joaquim.Furlan está reativando a Associação de Produtores de Xaxim da Serra Catarinense, e já conta com 50 fazendeiros da região, interessados no manejo da planta. De acordo com ele, ?o xaxim pode ser o grande guardião da Mata de Araucária, que possibilitaria a valorização sóico-econômica da floresta, sem destruição?.

Agencia Estado,

29 de julho de 2003 | 17h20

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