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Manejo sustentável fixa agricultores no semi-árido

Numa região que enfrenta desmatamento, processo de desertificação e salinização de lençóis freáticos, como Iguaraci, no sertão do Pajeú pernambucano, iniciativas como o manejo sustentável da caatinga representam uma mudança de atitude de convivência com o semi-árido.Isso levou o GEF (fundo global para defesa do meio ambiente da Organização das Nações Unidas) a aprovar a liberação de US$ 300 mil para que o Projeto Dom Hélder, vinculado à Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apresente uma proposta para o semi-árido.A ênfase da proposta é no desenvolvimento de sistemas de produção agropecuária sustentáveis. Dentro disso, ganha importância a recuperação de bacias hidrográficas e dos solos.Convivência harmoniosaO objetivo é que experiências piloto bem-sucedidas venham a ter caráter permanente de políticas públicas para o semi-árido. "O projeto vai ajudar na convivência harmoniosa entre homens e natureza", avalia o diretor do projeto, Espedito Rufino.O projeto atua no semi-árido nordestino, em assentamentos da reforma agrária e comunidades de agricultores familiares em 60 municípios de seis Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Sergipe).Sem ser um órgão financiador nem executor, ele articula, contrata assistência técnica, apóia e monitora ações como o manejo da caatinga, agricultura orgânica, construção e adoção de alternativas hídricas para a região - como cisternas de placa e barragens subterrâneas -, além de iniciativas educativas que venham a contribuir para a manutenção do homem no semi-árido.Sem pacoteCada cem famílias de agricultores é assistida por um técnico agrícola ou um agrônomo, que é da região e não tem um pacote pronto de medidas a ser adotadas. "Tudo é conversado", afirmou Anchieta Alves, supervisor do Projeto Dom Hélder no Pajeú.Sempre em parceria com ONGs, sindicatos e cooperativas, o Projeto Dom Hélder tem o co-financiamento do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (Fida). Atualmente, cerca de 7,5 mil famílias são beneficiadas, 1,4 mil delas em 14 municípios do sertão do Pajeú.Produção aumentaNo fim do ano passado, antes do período chuvoso, sol inclemente, agricultores do Assentamento Ramada da Quixabeira pegaram suas foices e, em conjunto com técnicos agrícolas, identificaram e podaram a vegetação forrageira (consumida pelos animais) de uma área de caatinga.Estavam preservando as árvores lenhosas e plantas não forrageiras típicas do principal ecossistema do semi-árido.A intervenção, dentro de um projeto piloto de manejo sustentável da caatinga para a produção de pastagem nativa para caprinos e ovinos, já apresentou um resultado que faz brilhar os olhos de Cícero Roberto Almeida da Silva, um dos assentados e participante ativo da experiência: "A oferta de pasto aumentou 100%, os bichinhos estão se fartando", empolga-se.ProvaA metodologia foi aplicada em faixas dentro uma área de reserva de caatinga de 12 hectares. Partes ficaram intocadas para melhor avaliação da intervenção. A diferença é clara: onde houve poda, há pasto. Tanto que os 41 animais das 12 famílias de assentados que ali se alimentam não perdem tempo com as áreas não manejadas.O desbaste da vegetação forrageira durante a estiagem permitiu maior penetração de luz e maior absorção da água da chuva pelo solo no período de inverno sertanejo, com uma conseqüente maior produção de pastagem nativa.AprendendoOs galhos e troncos de arbustos e árvores ocas e secas da reserva são utilizados para fazer carvão, mas com a preocupação, enfatizada por Cícero, de recuperar e preservar as espécies nativas, entre elas angico, umburana-de-cheiro, umburana-de-cambão, mandacaru, jurema."A gente está aprendendo coisas novas e funcionam", comenta Cícero, ao frisar que a tecnologia de manejo da caatinga não se presta para a pastagem de gado, sob risco de comprometer a reserva. "É só para animal de pequeno porte", ensina.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2004 | 12h18

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