Manifestação interrompe audiência com chefes de Estado

Pelo menos 50 manifestantes interromperam hoje a audiência com chefes de Estado na sala plenária do Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, no Museu de Arte Moderna do Rio, logo após o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso. Com faixas, bandeiras e máscaras de proteção no rosto, ambientalistas e estudantes protestaram contra a política ambiental do governo dos EUA, numa referência à posição do País em relação ao protocolo de Kyoto. Durante o ato, Fernando Henrique, que havia recebido algumas vaias ao chegar, pegou o microfone e pediu que a manifestação terminasse "democraticamente"."Nosso país preza a liberdade. Estamos de acordo de que é preciso lutar pelo desenvolvimento sustentável, mas todos sabemos que essa luta requer democracia dentro dela própria, requer a compreensão de todos e requer a capacidade de ouvirmos uns aos outros. Assim como a manifestação expressa um sentimento importante, peço a todos que se manifestaram que agora ouçam o que têm a dizer nossos convidados", disse o presidente, que chegou a pegar uma das máscaras usadas pelos manifestantes e brincar com ela. A maioria o aplaudiu.Seguranças foram mobilizados, mas o ato terminou pacificamente. "A manifestação expressa o sentimento de impotência da sociedade", disse a estudante de direito Eriça Macedo Moreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma das pessoas do grupo que vaiaram o presidente. O protesto foi organizado por entidades ambientais de São Paulo e do Rio, entre elas a ong Alerta, segundo o manifestante Thomás Antônio de Souza. O diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Cesar Mantovani, disse que o ato era para protestar contra a posição dos EUA em relação ao Protocolo de Kyoto e para exigir do governo brasileiro uma posição de liderança na América do Sul. "O Brasil precisa usar sua posição para puxar os outros países. A liderança é uma obrigação para o Brasil; nós somos protagonistas, sim", disse ele.Os manifestantes levaram uma bandeira dos EUA com uma tarja preta e faixas com frases como: "Bush, o lado negro do mundo". O ambientalista Paulo Goulart, do Núcleo de Ação Ecológica de Marília, disse que cerca de 15 pessoas vaiaram o presidente quando ele chegou ao auditório. O motivo, segundo ele, foi a não aprovação do projeto de lei, em tramitação há dez anos, que regulamenta a preservação de áreas de mata atlântica no País. "É o confronto da preservação com a exploração madeireira."

Agencia Estado,

24 de junho de 2002 | 19h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.