Manifestação interrompe audiência sobre São Francisco

Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, que garantiria a realização da audiência pública sobre o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), referentes ao projeto de transposição da bacia do Rio São Francisco, o encontro teve de ser interrompido. Isso porque os representantes do Ibama não conseguiram impedir que um grupo de manifestantes invadisse na noite desta terça-feira, o Minascentro, e obstruísse o debate.O grupo de manifestantes, formado por cerca de 400 integrantes de movimentos ambientalistas e de entidades da sociedade civil, chegou ao local da audiência por volta das 18h, ou seja, meia hora antes do horário previsto para o início das discussões. Gritando palavras de ordem, os manifestantes se dirigiram para o auditório do Minascentro, onde intensificaram os protestos, forçando os representantes do Ibama a criarem uma comissão para negociar a viabilidade da audiência. A comissão, formada por representantes do governo estadual, do Ministério da Integração Nacional, dos Ministérios Públicos federal e estadual e do próprio Ibama, não obteve sucesso, sendo obrigada a adiar o encontro, por volta das 21h.De acordo com o gerente executivo do Ibama em Minas, Roberto Messias, os manifestantes estavam irredutíveis, não aceitando qualquer tipo de negociação, até que o governo federal inclua no projeto o resultado de um estudo mais detalhado, contendo a previsão dos impactos da obra e,conseqüentemente, das ações para minimizar esses impactos. "Essa exigência será cumprida justamente com a realização das audiências públicas que servirão para as pessoas fazerem questionamentos e apontarem problemas e soluções à respeito do projeto de transposição", disse Messias.Além de terem interrompido a audiência, os manifestantes aproveitaram para promover o enterro simbólico da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Diante da confusão, o gerente executivo do Ibama em Minas negou que o governo tenha interesse em iniciar o empreendimento, orçado em R$ 4,5 bilhões, e que prevê a transferência de parte da vazão de água do rio São Francisco para contribuir com o abastecimento do semi-árido do País, já no mês de abril.Porém, o objetivo do governo é adiantar as obras de infra-estrutura. Para isso, os serviços podem ser licitados já no próximo mês. Mas isso dependerá da conclusão das audiências públicas. No total, estão programadas oito reuniões para tratar do assunto. A primeira ocorreu em Fortaleza, no dia 15, com a participação de 160 pessoas. Depois foi a vez de Natal, Souza, na Paraíba, e Salgueiro, em Pernambuco. Belo Horizonte seria a próxima. As próximas audiências serão realizadas em Salvador, no dia 27; Aracaju, no dia 31; e Maceió, no dia 2 de fevereiro.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2005 | 23h43

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