Manifestação marca dia das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho

Associações de vítimas de processos industriais e sindicatos de trabalhadores de indústria realizaram, hoje, um enterro simbólico em frente à Vidraria Santa Marina, na zona oeste de São Paulo, para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas dos Acidentes e Doenças do Trabalho. A empresa foi escolhida por pertencer ao grupo francês Sain-Gorbain, que controla a extração mineral e as principais empresas que utilizam a fibra de amianto no Brasil.Com o slogan ?Relembrar os Mortos e Lutar pela Vida?, os cerca de cem manifestantes usavam camisetas pretas e acenderam velas diante de um caixão. ?O protesto é em memória das vítimas de acidentes de trabalho e contaminações por amianto, sílica, mercúrio, radiações ionizantes, organoclorados (POPs) e pesticidas?, disse Fernanda Giannasi, coordenadora da Rede Virtual pelo Banimento do Amianto na América Latina. ?A Saint-Gorbain, presente em 47 países e com 170 mil trabalhadores, representa a multinacional com duplo padrão. Enquanto na Europa promoveu a substituição do amianto deste 1997, continua explorando o mineral no Brasil, através da mineradora Sama, em Goiás, e da Eternit?.A maior reivindicação dos trabalhadores, porém, refere-se às indenizações pagas aos trabalhadores contaminados com amianto. Enquanto na Europa, os valores são de aproximadamente 70 mil euros, no Brasil, os acordos estão na faixa de R$ 5 mil (cerca de 1,3 mil euro). Essa diferença de valores tem motivado manifestações internacionais, inclusive dos representantes da Convenção da Saint-Gobain no Diálogo Social Europeu, que deverão solicitar, na reunião anual do conselho de trabalhadores da empresa, a adoção das melhores normas de segurança e saúde encontradas no grupo para todas as suas instalações, mesmo que isto signifique ir além do requerido pelas legislações locais, e pedem à direção da Saint-Gobain que atenda as demandas e reivindicações da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), formada quase totalmente por ex-funcionários da empresa, muitos deles já com sintomas das doenças.O dia 28 de abril foi instituído em 1969, em decorrência da explosão da mina de Farmington, West Virgínia, nos Estados Unidos, onde morreram 78 mineiros. Em vários países a data foi incorporada ao calendário nacional. No Brasil, um projeto de lei do deputado federal Professor Luizinho (PT) tramita no Congresso Nacional desde 2000, propondo a incorporação da data ao calendário oficial brasileiro. Presente à manifestação, o deputado estadual Renato Simões (PT) disse que entraria, ainda hoje, com projeto semelhante na Assembléia Legislativa de São Paulo.Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil gasta por ano de 2,3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) anual com os acidentes e doenças do trabalho. Em 2001, apenas entre os trabalhadores registrados legalmente, houve 400 mil acidentes de trabalho, 2.557 pessoas morreram em decorrência de acidentes no trabalho, 7.440 adquiriram doenças ligadas ao trabalho e 11.746 ficam incapacitados.No caso do amianto, o ?boom? da produção no País foi na década de 70 e o tempo médio para as pessoas desenvolverem as doenças (abestose e vários tipos de câncer) é de 30 anos. ?Nossos cálculos são de que poderemos ter até 50 mil pessoas com problemas de saúde por exposição ao amianto neste período?, diz Fernanda. A coordenadora do Programa Amianto diz que a maior parte dos contaminados são dos municípios de Osasco, São Caetano do Sul, Leme, Araras e região industrial de Campinas, em São Paulo. Atualmente, um projeto de lei de banimento do amianto tramita no Congresso Nacional. Leis estaduais nesse sentido, nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, estão suspensas por liminares judiciais solicitadas pelo governo de Goiás.Também em frente à Rhodia, na região de Campinas, houve manifestação, hoje pela manhã, em homenagem à data.

Agencia Estado,

28 de abril de 2003 | 14h55

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