Marina da Silva recebe prêmio Chico Mendes

A menos de duas semanas da posse como ministra do MeioAmbiente do futuro governo, a senadora Marina Silva (PT-AC) recebeu nesta quarta-feira, na categoria liderança individual, o primeiro Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, por ser uma das herdeiras do legado do seringueiro. A senadora conclamou os movimentos sociais a continuarem pressionando o governo, mesmo estando ele nas mãos do PT. ?Se o movimento não tensionar, não esticar a corda, não acontece?, disse ao receber o prêmio, entregue em Luziânia (GO), onde ocorreu o sexto encontro nacional dos seringueiros.O prêmio Chico Mendes é um reconhecimento público do trabalho de pessoas, comunidades, instituições não-governamentais, empresas privadas e pesquisadores em favor do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Criado este ano pelo Ministério do Meio Ambiente, o prêmio homenageou em sua primeira edição 15 pessoas e entidades, classificadas em cinco categorias, que dividiram R$ 100 mil.O primeiro lugar na categoria negócios sustentáveis ficou com aorganização indígena Bacia Içana, de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, que fornece para a rede de lojas Tok Stok artesanato fabricado com fibras vegetais. Organizados em cooperativas, os índios Baniwa, do alto Rio Negro, padronizaram a qualidade do produto e conseguiram elevar em cinco vezes o preço do artesanato.O Instituto Socioambiental (ISA) foi o vencedor na categoriaorganização não-governamental, por seus projetos educacionais em comunidades indígenas no Parque do Xingu. Na categoria ciência e tecnologia, a vencedora foi a Universidade Federal do Acre, que desenvolveu pesquisas para a recuperação de áreas florestais alteradas.Na categoria associação comunitária, o primeiro lugar foi para aAssociação de Moradores e Produtores do Projeto de Assentamento Chico Mendes, por seu trabalho pioneiro no manejo comunitário e sustentável de madeira. Emocionada, Marina Silva dedicou metade do prêmio aos filhos de Chico Mendes e o restante a Pedro, seu pai, a pessoa que, segundo ela, a ensinou a ter amor à floresta, à vida e à ética. Muitos na platéia choraram. Pouco antes, os seringueiros tinham se emocionado com a secretária da Amazônia, Mary Alegretti, idealizadora do prêmio, que lembrou do sonho de Chico Mendes, assassinado há 15 anos. Mary contou que o seringueiro dizia que a Amazônia não podia ser um santuário intocável. Era possível aliar preservação a desenvolvimento econômico. Na visão dele, bastava que o governo ?levasse a sério? as propostas dos seringueiros e das comunidades indígenas. A secretária resumiu que o sonho de Chico Mendes era ver a Amazônia livre dos fazendeiros, das motosserras e do fogo devastador. Após a entrega do prêmio, a secretária defendeu tese de doutorado em que analisa como um grupo sem poder econômico e político, como o de Chico Mendes, conseguiu criar reservas extrativistas (Resex) que aliavam preservação do meio ambiente com solução para a pobreza. Na opinião dela, a luta dos seringueiros e a articulação com movimentos ambientalistas internacionais foram fundamentais para criar o novo modelo de Resex, que é único no mundo.

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