Marinha dos EUA admite utilização de urânio empobrecido

A Marinha dos Estados Unidos confirmou no fim da noite de ontem a utilização de urânio empobrecido em exercícios de tiro realizados no Oceano Pacífico, a noroeste de seu território, mas nega que o feito possa causar riscos ao ambiente ou à população. O tema incomoda os ambientalistas, que advertiram sobre o risco do uso de munições com urânio empobrecido durante exercícios de tiro realizados há três meses. A Marinha norte-americana admitiu o uso, disseram fontes, mas garantiu ter "tomado todas as precauções" para evitar qualquer risco para seus militares e para os civis. As forças armadas dos EUA estão substituindo as munições com urânio empobrecido por outras com tungstênio, que tem o mesmo rendimento na perfuração de veículos blindados. As munições com urânio empobrecido foram utilizadas nas Guerras do Golfo, da Bósnia e do Kosovo, todas durante a década de 90. A substância é um resíduo obtido da produção de combustível destinado a reatores nucleares e bombas atômicas. Os ambientalistas atribuem a este material a incidência de diversos casos de leucemia entre soldados que combateram nessas três guerras, assim como entre a população dessas regiões. Ainda ontem, a Marinha dos Estados Unidos confirmou que, a partir de 1º de maio, encerrará definitivamente as manobras militares e os testes de tiro na ilha de Vieques, em Porto Rico, disseram as mesmas fontes. A partir desta data, os exercícios norte-americanos serão realizados nas costas da Flórida e em outras partes do território continental norte-americano. A ilha de Vieques foi utilizada como local de treinamento durante 56 anos pelos EUA. Em 1999, porém, a morte de um civil em meio a uma dessas manobras desencadeou uma série de protestos por parte de grupos pacifistas e ambientalistas.

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2003 | 11h00

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