Marte poderá ter estação automática

A Rússia e os EUA acordaram segunda-feira estudar apossibilidade de criar uma estação automática para enviar a Marte, anunciou Serguei Gorbunov, porta- voz da agência espacial russa Rosaviakosmos.A conquista do planeta vermelho e a participação de empresas russas em programas espaciais norte-americanos foram alguns dos assuntos abordados nas negociações entre Yuri Koptev, diretor da Rosaviakosmos, e SeanO´Keefe, da Nasa.O´Keefe explicou ao diretor russo que os ônibus espaciais norte-americanos não poderão voar até à Estação Espacial Internacional (ISS) pelo menos durante um ano, enquanto a Nasa continuar com as investigações à tragédia doColumbia, que no dia 01 de fevereiro se desintegrou nos céus pouco antes da aterrissagem, provocando a mortea todos os astronautas que seguiam a bordo.Durante as conversações, as partes não abordaram o futuro da ISS, cuja construção ficou bloqueada devido à suspensão dos voos norte-americanos.A situação do programa da ISS após o acidente do Columbia será analisada numa reunião entre os representantes da Rosaviakosmos, a Nasa, a Agência Européia do Espaço (ESA), o Japão e o Brasil no próximo mês de setembro,disse Gorbunov.Agora, o funcionamento da EEI depende das naves russas de carga Progress e das tripuladas Soyuz TMA, ambas com menos capacidade de transporte do que os ônibus espaciais norte-americanos, e agora com o estigma doscontratempos sofridos domingo pela tripulação que regressava da plataforma orbital.Valeri Morgun, médico chefe do Centro de Preparação de cosmonautas "Yuri Gagarin", assegurou que os cosmonautas norte- americanos Ken Bowersox e Don Pettit e o russo Nikolai Budarin estão bem de saúdeseguindo neste momento o programa de reabilitação.Após 161 dias de permanência na EEI, os três astronautas aterrissaram a bordo de uma cápsula Soyuz na estepe Casaquistão, mas a cerca de 500 Km do localprevisto.Em vez de descer por uma trajetória controlada, a cápsula precipitou-se para a Terra em queda livre, na chamada reentrada balística, o mais duro para os tripulantes pois sofrem pressão de até nove vezes a força da gravidade.Além disso, nos minutos finais da aterrissagem, o Centro russo de Controle de Vôos Espaciais perdeu a comunicação radial com os cosmonautas, falhando ainda o sistema autônomo da cápsula que permite emitir sinais para estabelecer o seu local de queda.Uma comissão de peritos da Rosaviakosmos e de empresas responsáveis pelo programa espacial russo vão estudar as causas destas irregularidades assim que a cápsula Soyuz chegar aos estaleiros do consórcio construtor Energuia.

Agencia Estado,

06 de maio de 2003 | 11h05

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