Fred Prouser/Reuters
Fred Prouser/Reuters

Matemático que inspirou 'Uma Mente Brilhante' morre em acidente de carro

John Nash estava com a mulher em táxi cujo motorista perdeu o controle e bateu em mureta, segundo informações de TV dos EUA

EFE

24 Maio 2015 | 11h38

Atualizado às 16h50.

O matemático John Nash, prêmio Nobel de Economia de 1994 e que inspirou o filme Uma Mente Brilhante, morreu nesse sábado, 23, junto com sua mulher em Nova Jersey (EUA) em um acidente com o táxi no qual estavam, informou neste domingo a imprensa local.

O motorista do táxi teria perdido o controle do veículo ao tentar fazer uma ultrapassagem, e houve uma colisão, na qual morreram Nash, de 86 anos, e sua esposa Alicia, de 82.

Com o impacto, o casal foi lançado para fora do carro, e por isso a primeira impressão é de que ambos não usavam cinto de segurança, disse ao portal de notícias "NJ.com" o sargento da polícia estadual Gregory Williams.

O motorista foi retirado de dentro do veículo e levado com ferimentos, mas sem risco de morrer, ao hospital universitário Robert Wood, na cidade de New Brunswick, ainda segundo o site.

O matemático recebeu o Nobel por sua "Teoria dos Jogos", e sua carreira e sua luta contra a esquizofrenia foram imortalizadas por Russell Crowe em Uma Mente Brilhante, que em 2002 ganhou quatro Oscar.

"Atordoado... meu coração está com John e Alicia e a família. Um casal espectacular. Mentes maravilhosas, corações maravilhosos", disse Russell Crowe pelo Twitter.

Trajetória. Com uma mente privilegiada, mas golpeada durante anos pela esquizofrenia, John Nash ficará na história como um dos matemáticos mais brilhantes do século 20, embora para o grande público seja para sempre o atormentado inspirador de Uma Mente Brilhante.

Prêmio Nobel de Economia em 1994 pela "Teoria dos Jogos" e responsável por vários progressos fundamentais na aplicação de ferramentas matemática em outras disciplinas, Nash é considerado um dos grandes cérebros matemáticos das últimas décadas.

Sua tese de doutorado, concluída em 1951, já incluía boa parte de suas contribuições, entre elas o chamado "equilíbrio de Nash".

Uma das cartas de recomendação escritas por um professor para sua entrada no programa de doutorado em Princeton dizia unicamente: "Este homem é um gênio", lembrou hoje o The New York Times.

Mas além desse gênio matemático, Nash ficou conhecido por ter tido uma vida marcada pelas doenças mentais, que o diretor Ron Howard levou ao cinema em 2001 sob o título de "Uma Mente Brilhante". O filme, com Russell Crowe no papel de Nash, foi um dos grandes sucessos do ano e levou quatro Oscar, entre eles o de melhor filme.

Filho de um engenheiro elétrico e de uma professora, Nash nasceu em 1928 em Bluefield, na Virgínia Ocidental, e rapidamente se destacou por sua capacidade intelectual, obtendo bolsas de estudos para o Carnegie Institute of Technology de Pittsburgh e depois para Princeton.

Ali publicou, com apenas 21 anos, sua conhecida tese, que fez sua fama disparar entre a comunidade acadêmica e o levou ao prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à companhia de tecnologia militar RANDE.

Paralelamente ao reconhecimento acadêmico e profissional as turbulências começavam em sua vida pessoal, segundo uma biografia, ele teve várias relações homossexuais e uma detenção por exposição indecente.

Em 1957 Nash se casou com Alicia Lardé, pesquisadora de origem salvadorenha, e pouco tempo depois sua saúde mental começou a se deteriorar.

Diagnosticado com esquizofrenia em 1959, o matemático passou longas temporadas hospitalizado, foi tratado com eletrochoque, fugiu por um tempo para a Europa e perdeu anos andando pelos corredores de Princeton consumido pela paranoia e por teorias da conspiração.

Em 1963 ele se divorciou de Alicia que, no entanto, sempre se manteve ao seu lado. Eles voltaram a viver juntos em 1970 na casa dela, onde pouco a pouco Nash começou a superar a doença.

Nash conseguiu voltar a dar aulas e em 1994 recebeu o Nobel de Economia pelas descobertas que fez décadas antes.

Um ano depois, Sylvia Nasar publicou um perfil sobre o matemático no New York Times, que em 1998 ampliou no livro Uma Mente Brilhante, que inspirou o filme de mesmo nome.

O longa, que contou com o aval de Nash, "tem bastante a ver com sua vida e com o que aconteceu" ao matemático, como disse em entrevista em 2007 à Agência Efe sua esposa, com quem se casou novamente em 2001.

No entanto, a notoriedade do filme também alimentou acusações contra Nash, que se viu obrigado a negar em entrevista ser antissemita, e a atribuir algumas das "estranhas ideias" que teve durante sua vida à doença.

Nos últimos anos, o casal dedicou boa parte de seu tempo a chamar a atenção sobre as doenças mentais, que também vitimou seu filho, John. Ele também seguiu a carreira de seu pai como matemático. 

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