MEC admite anular questões do Enem para mais alunos de Fortaleza

Ministério espera indícios mais fortes em apuração da PF para anular questões de estudantes do cursinho Christus

Cedê Silva e Lorena Amazonas - Especial para o Estadão.edu,

20 Dezembro 2011 | 17h44

O Ministério da Educação pode anular questões do Enem também para alunos do cursinho do Colégio Christus, de Fortaleza. A decisão depende de investigação da Polícia Federal, ainda em andamento. Desde o começo de novembro, 14 questões estão anuladas apenas para 639 alunos do 3º ano desse colégio.

Reportagem publicada pelo site da revista Veja na sexta-feira mostrou trechos de inqúerito da PF, segundo o qual dois estudantes do curso pré-vestibular, Amanda Galdino Carneiro e Robert Pouchain Ribeiro Neto, ambos de 20 anos, confirmaram o recebimento das mesmas apostilas distribuídas aos alunos do curso regular do colégio. Diante do delegado da PF, Amanda afirmou, segundo registro do inquérito em andamento: "(...) o terceiro ano regular funciona na mesma sala do cursinho pré-vestibular, portanto, os alunos do terceiro ano do ensino médio e os alunos do curso pré-vestibular tiveram acesso ao mesmo tipo de material fornecido pelo colégio para a preparação do Enem 2011".

O testemunho de Amanda foi confirmado pelo colega Robert, que acrescentou que "não chegou a resolver as questões, sendo certo que ao saber que em torno de nove das questões caiu (sic) no primeiro dia de prova decidiu estudar os dois cadernos da matéria do dia seguinte (...)." No dia 26 de outubro, três dias após o Enem 2011, o Estadão.edu mostrou que alunos, inclusive de fora do Christus, já discutiam as questões idênticas na rede desde sábado, primeiro dos dois dias de prova do Enem.

O inquérito da PF também mostrou que os fiscais do pré-teste aplicado no Christus, em outubro de 2010, não apenas foram contratados pelo próprio Colégio Christus, como  "mantinham laços profundos com a instituição": todos foram ex-alunos ou estudam na Faculdade Christus.

Ontem, o procurador Oscar Costa Filho requeriu à Justiça Federal que dê 72 horas ao MEC para informar quais procedimentos estão sendo tomados em relação à investigação da PF e para identificar os alunos que tiveram acesso às questões antecipadas. "O MEC está fazendo isso (investigando) em segredo", disse o procurador hoje. "Só o Christus tem o nome desses alunos - vamos ter que contar com a colaboração deles para investigar".

Histórico

Em 26 de outubro, o Estadão.edu revelou em primeira mão que um álbum no Facebook mostrava questões de um simulado do Colégio Christus idênticas a algumas das perguntas da prova. No mesmo dia, o MEC cancelou a prova (inteira) para os 639 alunos do 3º ano desse colégio.

O MEC havia decidido reaplicar o Enem aos alunos do Christus nos dias 28 e 29 de novembro, quando a prova é aplicada em presídios. Mas o Ministério Público Federal do Ceará entrou com ação judicial para anular a prova em todo o Brasil - ou pelo menos as questões repetidas. A Justiça Federal no Ceará optou por anular 13 questões no País inteiro. O MEC recorreu, e o desembargador do TRF da 5ª região determinou a anulação de 14 (não 13) questões apenas para os alunos do 3º ano do Christus, que também possui um cursinho pré-vestibular. No dia 11 de novembro, o MPF protocolou novo recurso, solicitando a cassação da decisão do TRF-5, para que vigorasse a decisão anterior da Justiça Federal do Ceará.


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