Mecanismo que leva plâncton à luz pode ser ancestral dos olhos

Cientistas explicam que deslocamento é possível graças a simples ocelos sensíveis às mudanças de luz

Efe

19 de novembro de 2008 | 17h45

O plâncton desloca-se das profundezas marinhas para a luz graças a ocelos (arremedo de olhos semelhantes aos dos insetos) bicelulares presentes em diminutas larvas que poderiam ser um estágio ancestral da evolução dos olhos dos animais.   Em artigo publicado nesta quarta-feira, 19, pela revista científica britânica Nature, pesquisadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha, explicam o mecanismo de deslocamento do plâncton marinho, possível graças a "simples ocelos" sensíveis às mudanças de luz.   A equipe chefiada por Detlev Arendt afirma que a migração do plâncton rumo à luz constitui o maior transporte de biomassa da Terra.   Diminutas larvas invertebradas permitem às comunidades de plâncton marinho viajar entre a superfície e camadas de águas profundas, dependendo das condições de luz.   Essas larvas podem detectar a intensidade da luz através de ocelos bicelulares que se parecem aos proto-olhos citados por Darwin como a primeiro passagem da evolução rumo ao olho dos mamíferos.   A equipe descobriu que a iluminação do ocelo produz mudanças nos flagelos adjacentes através de sinais colinérgicos (por fibras nervosas).   Graças a modelos de computador, os cientistas puderam confirmar a importância destes efeitos locais nos movimentos dirigidos rumo à luz e demonstraram que o plâncton navega com maior precisão se o organismo desenvolve uma pauta de deslocamento helicoidal pela água.   A equipe de pesquisadores sugere que este "motor sensorial" do plâncton representa uma estágio ancestral da evolução dos olhos dos animais.

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