Hélvio Romero/Estadão - 05/03/20
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Médica Angelita Gama entra na lista dos cientistas mais influentes do mundo

Universidade americana, em parceria com a editora Elsevier BV, divulgou recentemente atualização da lista que representa os 2% dos cientistas mais citados em várias disciplinas

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 21h33

SÃO PAULO – Uma das cientistas mais premiadas do País, a pesquisadora brasileira e professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) Angelita Habr-Gama foi reconhecida pela Universidade de Stanford (EUA) como uma das médicas que mais contribuíram para o desenvolvimento da Ciência no mundo.

A universidade americana, em parceria com a editora Elsevier BV, divulgou recentemente uma atualização da lista que representa os 2% dos cientistas mais citados em várias disciplinas. O relatório foi preparado por uma equipe de especialistas liderada pelo professor John Ioannidis, da Universidade de Stanford.

“Esse reconhecimento é um estímulo para os médicos e cientistas brasileiros, é um estímulo para progressão na carreira de outras pesquisadoras”, diz Angelita ao Estadão. Segundo ela, a expectativa é de que reconhecimentos como esses sirvam de inspiração para outros cientistas trilharem caminhos parecidos, o que não é fácil.

“É claro que tudo isso exigiu muito esforço, muito estudo e muita dedicação, mas a gente chega lá”, diz a médica, que atualmente também atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “Fico muito honrada e muito satisfeita com o reconhecimento”, complementa.

Com relevantes trabalhos na área da Coloproctologia, área que estuda doenças do intestino grosso, do reto e do ânus, Angelita foi a primeira mulher residente em cirurgia geral no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Pioneira, criou a disciplina de Coloproctologia na mesma instituição e foi a primeira a chefiar o departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP.

A cirurgiã é reconhecida por alterar o paradigma mundial adotado durante quase todo o século XX para o tratamento do câncer do reto baixo. Com sua proposta, baseada em pesquisa clínica liderada por ela e iniciada em 1981, firmou-se como atual paradigma que o tratamento do câncer do reto baixo deve ser conduzido, em um primeiro momento, com quimioradioterapia, postergando-se a ressecção cirúrgica. 

Entre os principais feitos, a cirurgiã publicou mais de 200 artigos científicos em revistas indexadas no PubMed, fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci) e foi nomeada coordenadora no Brasil do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal pela Organização Mundial de Gastroenterologia (Omge).

Exerceu, além disso, a presidência da Sociedade Brasileira e da Sociedade Latinoamericana de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Foi também vice-presidente nacional do CBC, além de ter organizado e presidido o Fórum Internacional de Câncer do Reto, em novembro de 2007, em São Paulo.

Angelita é membro honorária da sociedade científica American Surgical Association e a primeira mulher a receber este título do American College of Surgeons. É reconhecida ainda por European Surgical Association, Italian Surgical Association, American Society of Colon and Rectal Surgeons e Royal College of Surgeons of England.

A pesquisadora também é membro honorária de sociedades de Coloproctologia do Brasil, Chile, Paraguai e Equador, da Associação Argentina de Cirurgia, da Academia Nacional de Medicina da Argentina e da Associação Latinoamericana de Coloproctologia.

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