Médicos avaliam se poeira do Saara facilita meningite

Pouca chuva, umidade baixa e uma quantidade alta de poeira no ar. Esse conjunto de fatores forma um cenário ideal para que a meningite meningocócica aflore, com grande força, em lugares como a África subsaariana. O problema pode atingir milhões de pessoas e dezenas de países.Cientes dessas relações, pesquisadores estão usando satélites da Agência Espacial Européia (ESA) para rastrear as grandes nuvens de poeira que se deslocam sobre o deserto do Saara e, depois, por cima de vários países africanos.O objetivo principal é perceber, a partir dos dados obtidos semana a semana, se existe uma relação entre o pó e as epidemias da doença, que costumam causar a morte de muitas pessoas.A hipótese mais provável, segundo disse Isabelle Jeanne, do Centro de Pesquisa Médica e Sanitária, com base na Nigéria, em comunicado da ESA, é que as nuvens de poeira não estejam espalhando de forma direta a bactéria que causa inflamações na medula espinal ou no cérebro.A poeira, na verdade, torna as mucosas dos habitantes da África mais suscetíveis ao agente causador da meningite.Nas épocas mais secas, acreditam os pesquisadores, quando o pó chega às cidades como se fosse um talco, pelo menos 300 milhões de pessoas em 19 nações ficam mais vulneráveis ao ataque da bactéria meningococus. As crianças e os idosos são os mais atingidos.Como a doença pode ser combatida a partir de uso de antibióticos e campanhas de vacinação, entender se existe realmente uma relação entre as nuvens e as epidemias é fundamental para que o controle da meningite na África possa ser mais eficiente.Com os mapas de poeira feitos via satélite, a expectativa é que uma espécie de sistema de alerta para epidemiais possa ser montado nos próximos anos.

Agencia Estado,

13 de maio de 2005 | 09h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.