Médicos buscam vacina contra a febre reumática

Só existe, hoje, uma maneira de evitar a febre reumática: tomar uma dose de antibiótico injetável para tratar a amidalite causada pelo estreptococo beta-hemolítico. Mas uma pesquisa em andamento no Instituto do Coração (Incor) da Universidade de São Paulo (USP) pode achar a esperada vacina para a doença.Coordenadora do estudo, Luiza Guilherme Guglielmi busca um imunizante à bactéria. O grupo de pesquisadores identificou duas regiões da proteína M estreptococo, que podem ser usadas no desenvolvimento da vacina."Ao defender-se do estreptococo, o sistema imune de algumas pessoas com suscetibilidade genética desencadeia reações nocivas a alguns órgãos, principalmente ao coração", diz ela. O ataque ocorre porque uma molécula da bactéria e determinadas proteínas do coração têm regiões muito parecidas, o que não se repete no caso das duas regiões identificadas pelo estudo, que serão utilizadas.Atualmente, diz a pesquisadora do Laboratório de Imunologia da USP, estão sendo realizados testes em camundongos. "Estamos produzindo proteínas recombinantes dessas regiões por metodologias de biologia molecular que facilitarão os ensaios e poderão vir a constituir uma vacina", observa Luiza.Pode não ser bobagemO imunizante reduzirá o número de cirurgias futuras e, portanto, os custos, além de deixar de lado a dolorosa benzetacil. Mas, até que a vacina seja descoberta, a saída é tomar cuidados redobrados com as amidalites bacterianas."As pessoas precisam se conscientizar de que a dor de garganta pode não ser uma bobagem. Tem de ser tratada com antibiótico e da forma correta. São necessários dez dias para debelar a bactéria e evitar que se desenvolva uma febre reumática", orienta a cardiopediatra do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras Regina Müller.Segundo ela, quase 30% das amidalites em crianças são causadas pelo estreptococo. O tratamento inadequado pode desencadear a febre reumática, cujos sintomas mais característicos são febre alta, pus na garganta e nódulos dolorosos no pescoço.E a doença pode acometer articulações, coração e cérebro. "Se o comprometimento cardíaco for muito grave, é preciso operar."

Agencia Estado,

03 de maio de 2004 | 11h31

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