Médicos descrevem em detalhe primeiro transplante de face

Isabelle fez o transplante em novembro de 2005. Ela havia sido desfigurada por um cão seis meses antes

Associated Press,

12 de dezembro de 2007 | 20h00

Dois anos depois de médicos franceses terem surpreendido o mundo com o primeiro transplante facial parcial, outros profissionais continuam cautelosos quanto a realizar a cirurgia. A paciente francesa, Isabelle Dinoire, tem um novo rosto que se parece com e se move como o que perdeu. Os médicos responsáveis pela operação celebram o feito em um artigo publicado nesta semana no periódico especializado  New England Journal of Medicine.                           A partir da esquerda, Isabele Dinoire, paciente do primeiro transplante de rosto, antes de ser atacada por um cachorro, meses depois da cirurgia, com maquiagem, e em 2007, sem maquiagem. Fotos: Reuters. "Ela está perfeita", disse o médico Jean-Michel Duberrnard, o cirurgião-chefe da operação, em entrevista. A recuperação foi notável, mas complexa. A vida de Isabelle após o transplante teve várias dificuldades, incluindo uma falência renal e dois episódios de rejeição da nova pele da face pelo sistema imunológico.Em hospitais dos Estados Unidos que planejam realizar transplantes faciais, médicos afirmam que é difícil determinar como funcionarão alguns dos tratamentos usados pelos franceses quando forem testados em outros pacientes, e questionam se Isabelle realmente conseguirá seguir tomando remédios imunossupressores pelo resto da vida.  Se ela não fizer isso, o novo rosto poderá se desmanchar. "Poderá ser um desastre", disse o médico  Bohdan Pomahac, cirurgião plástico do Hospital Brigham and Women's. Isabelle fez o transplante em novembro de 2005. Ela havia sido desfigurada seis meses antes, quando seu cão de estimação mastigou sua face enquanto ela estava desmaiada, após tomar uma overdose de soníferos.  Ela perdeu o nariz, os lábios, o queixo e partes das maçãs do rosto. "Ela não conseguia falar, não conseguia comer. Estava sendo alimentada por um tubo gástrico", disse Dubernard.A doadora do rosto foi uma mulher de 46 anos com morte cerebral. Além da pele do rosto, foram extraídas células da medula óssea, que foram injetadas em Isabelle numa tentativa de evitar a rejeição do tecido - algo comum em transplantes de pele. A despeito da injeção de medula e de potentes drogas anti-rejeição, Isabelle teve o novo rosto atacado pelo sistema imunológico duas vezes. Além disso, as drogas causaram problemas em seus rins. Desde o caso de Isabelle, dois outros transplantes faciais parciais foram divulgados. Em 2006, um fazendeiro chinês recebeu um depois de ser desfigurado por um urso. Em janeiro, um francês se submeteu a um transplante para corrigir uma deformidade de origem genética. Dubernard disse que não tomou parte nessas intervenções.

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