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Médicos espanhóis revivem mulher após mais de seis horas de parada cardíaca

'É como um milagre', disse a paciente de 34 anos de idade que não teve nenhuma sequela neurológica

das agências, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2019 | 19h05

Médicos espanhóis conseguiram salvar a vida de uma britânica que passou mais de seis horas em parada cardíaca após sofrer hipotermia durante uma excursão nas montanhas, informou nesta quinta-feira, 5, a equipe médica do hospital Vall d'Hebron de Barcelona. 

"É como um milagre", reconheceu a paciente Audrey Marsh, de 34 anos. 

"É a parada cardíaca mais longa com recuperação já documentada na Espanha. Nos Alpes e na Escandinávia existem casos documentados semelhantes", disse à o médico Eduard Argudo, responsável pela reanimação.

A mulher, residente nesta cidade, perdeu a consciência por volta das 13h quando foi surpreendida por uma tempestade de neve durante uma travessia pelos Pirenéus (cordilheira no norte da Espanha) com o marido.

Quando a equipe de resgate os alcançou às 15h35, a mulher não apresentava sinais vitais ou atividade cardíaca e sua temperatura corporal era de 18 graus. 

As primeiras manobras de ressuscitação não tiveram efeito e ela foi levada de helicóptero para o hospital de Barcelona, que possui um dispositivo inovador chamado ECMO. Este dispositivo, usado pela primeira vez na Espanha para ressuscitação, consiste em uma máquina que se conecta ao sistema cardíaco do paciente para substituir a função pulmonar e cardíaca.

A máquina retira o sangue de uma veia, o aquece, o oxigena e o reintroduz no corpo através de uma artéria.

Por volta das 21h45, mais de seis horas depois que as equipes de resgate a encontraram em parada cardíaca e quando seu corpo já havia atingido 30 graus, os médicos tentaram ressuscitá-la.

"Decidimos realizar uma descarga elétrica para tentar despertar seu coração e foi assim que aconteceu", disse Argudo. 

Segundo o médico, parte do sucesso se deve à hipotermia. "A hipotermia mata e salva ao mesmo tempo. Com o frio, o metabolismo diminui, os órgãos precisam de menos sangue e menos oxigênio e isso permite que o cérebro fique bem", explicou.

A recuperação foi extraordinariamente rápida e, seis dias depois, ela já havia deixado a unidade de terapia intensiva sem sequelas neurológicas. 

Suas mãos ainda não recuperaram toda a mobilidade, mas "ela tem vida praticamente normal" e "voltará ao trabalho nos próximos dias", informou o hospital em comunicado.

dbh/mg/mar/mr

© Agence France-Presse

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