Médicos fazem mutirão contra câncer de pele neste sábado

Cerca de 1,5 mil dermatologistas vão trabalhar de graça neste sábado, examinando pessoas em 22 Estados para diagnosticar possíveis casos de câncer de pele e encaminhá-los a algum tipo de tratamento. Nesta 7.ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, os médicos vão aproveitar a mobilização para também alertar os pais sobre a necessidade de prevenção nas crianças.Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, que promove a campanha, a falta de proteção à pele desde a infância é a principal causa de do carcinoma basocelular, o tipo mais freqüente de câncer de pelo no País (70% dos casos). A doença costuma surgir após os 40 anos em pessoas de pele mais clara, resultado do tempo acumulado de exposição ao sol.As chances de sofrer câncer de pele são reduzidas em até 85% se os cuidados com a pele forem adotados desde a infância, segundo a entidade.No ano passado, os médicos voluntários descobriram nada menos que 33.682 pessoas com algum tipo de câncer de pele no País. Projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que 2005 deve terminar com 119 mil novos casos de câncer diagnosticados em todo o sistema de saúde brasileiro.Exame e proteçãoOs postos de exame e orientação são montados, na maioria dos casos, em hospitais e postos de saúde (veja a lista de endereços por Estados no destaque). Os dermatologistas fazem, gratuitamente, um exame completo de pele para identificar possíveis lesões, enquanto orientam as pessoas sobre a necessidade de tratamento e as formas de proteção.Proteção, hoje, nas grandes cidades, significa usar roupas apropriadas e filtro solar - adequado a cada um dos seis tipos de pele -, já que nem todos usariam bonés e chapéus. O problema é que os filtros solares não são acessíveis para a maioria da população."Por isso defendemos que esses produtos deixem de ser considerados cosméticos e passem a ser produzidos como remédios genéricos, a preços baixos, como já começa a ocorrer em alguns Estados brasileiros", diz Gerson Penna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia. "É preciso que isso se torne política pública contra o câncer de pele."Com ou sem filtro, a ordem é não se bronzear entre as 10h00 e as 15h00. "Está absolutamente comprovado que, hoje em dia, os raios ultravioleta nos atingem de forma mais intensa por causa da redução da camada de ozônio", explica Penna. "E bronzeamento artificial, nem pensar."Três tiposAlém de proteger a pele do sol excessivo, é importante estar atento aos sinais que vão surgindo ao longo dos anos, principalmente manchas e pintas. Elas podem ser resultado do crescimento anormal e descontrolado das células. A gravidade do câncer de pele varia de acordo com as camadas formadas.O carcinoma basocelularé, o tipo mais freqüente, é o menos grave por não causar metástase (distribuição de células cancerosas para outras partes do corpo). Ainda assim, este câncer pode destruir os tecidos à sua volta, atingindo até cartilagens e ossos.O carcinoma espinocelular é o segundo tipo mais comum, pode se disseminar por meio de gânglios e provocar metástase. Além de ser causado pela exposição prolongada ao sol, atinge também os fumantes e as pessoas muito expostas a substâncias químicas com arsênio e alcatrão.A forma mais grave é o melanoma, que tem alto potencial de produzir metástase. Atinge principalmente pessoas de pele clara e surge como uma pinta escura. O diagnóstico precoce é fundamental, já que o risco de morte é muito alto.Tipos de manchas e pintasA Sociedade Brasileira de Dermatologia criou um "ABCD" para facilitar a identificação de manchas e pintas suspeitas na pele.De forma geral, as pessoas precisam estar atentas a qualquer crescimento na pele "de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida; uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento".Manchas e pintas malignas, segundo a entidade, são assimétricas e têm bordas irregulares, enquanto as consideradas normais fazem formas simétricas e têm bordas arredondadas.Também pela coloração e pelo tamanho é possível distinguir uma mancha ou pinta benigna de um câncer de pele: a primeira tem tonalidade única e não costuma ser maior que 6 milímetros; o câncer é maior e tem dois ou mais tons de cor.

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2005 | 18h36

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