Médicos pesquisam peixe que regenera o próprio coração

Um pequeno peixe ornamental, listrado de preto e branco, comum em aquários e laboratórios, pode abrir caminho para novas formas de tratamento do coração. Um novo estudo mostra que o peixe-zebra produz novas células cardíacas e regenera totalmente o coração depois de ter 20% do músculo retirado. Especialistas dizem que a descoberta é uma avanço importante no campo da ?medicina regenerativa?, o esforço científico para descobrir como recuperar órgãos doentes com células novas, saudáveis.A maioria dos pesquisadores tenta obter novas células cardíacas a partir de células-tronco, mas a equipe liderada por Mark T. Keating, da Universidade de Harvard, adotou uma abordagem diferente: a busca pelos segredos genéticos que permitem a certas espécies , como o peixe-zebra, regenerar partes perdidas do corpo. Uma vez que os genes da regeneração cardíaca sejam descobertos no peixe, disse o pesquisador, ?é provável que haja genes correspondentes no genoma humano. É possível que isso leve à regeneração cardíaca em seres humanos? A resposta é sim?, afirmou Keating, o principal autor do artigo a respeito, a ser publicado na edição de amanhã da revista Science.Keating optou por trabalhar com o peixe-zebra porque já se sabia que o animal, de pouco mais de dois centímetros, era capaz de regenerar nadadeiras e partes dos olhos. O peixe nunca haviam sido testado para células cardíacas antes.No estudo, os cientistas anestesiaram os peixes e rapidamente abriram-lhes os abdomes, cortando fora 20% dos corações, formados por duas câmaras. As incisões foram tratadas para evitar hemorragia e os peixes, devolvidos à água. Oito dos dez animais operados sobreviveram. ?Eles não estavam muito felizes?, disse Keating.Após dez dias, porém, esses sobreviventes voltaram a nadar normalmente, e logo se mostraram tão ativos quanto os peixes saudáveis. Keating disse que a regeneração total do coração dos peixes ocorreu em dois meses. Todo o tecido amputado foi substituído por células novas, e quase não havia cicatriz; o coração bombeava sangue com o mesmo vigor de antes.Com seres humanos, o quadro é bem diferente. ?Há muito pouco, ou nenhum, crescimento do músculo cardíaco após um ataque do coração em pessoas?, disse Keating. Em vez disso, as células destruídas pelo ataque são substituídas por um tecido conjuntivo que não contrai como o músculo, e nem conduz os impulsos elétricos necessários ao batimento cardíaco normal?. Joshua M. Hare, um pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, que busca regenerar tecidos do coração humano usando células-tronco, disse que o trabalho da equipe de Keating ?é definitivamente promissor?. Descobrir o gene regenerador do peixe-zebra, disse, ?fornecerá pistas muito valiosas sobre as razões pelas quais os corações humanos não se regeneram por completo, ou para encontrar meios de estimular essa regeneração?.

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