Médicos propõem reinstaurar cirurgia cerebral contra dependência

Médicos chineses propuseram voltar a legalizar a cirurgia cerebral para tratar a dependência química, depois de a prática ser proibida pelo governo chinês em outubro de 2004, segundo a imprensa local. "Não é uma técnica nova", explicou o doutor Wang Guisong, do departamento de Neurocirurgia de Xangai, no leste do país, ao jornal Xangai Daily."Usar somente a medicina pode curar a dependência física, mas não pode curar a mental", afirmou, e acrescentou que "operar o cérebro é a última alternativa para os dependentes e suas famílias". Segundo Wang, as drogas afetam certos tecidos do cérebro, o que produz a sensação de euforia e gera a dependência, por isso destruir essa pequena região de tecidos pode acabar com a dependência. "É uma cirurgia pouco invasiva.Os médicos abrem dois pequenos buracos no crânio e usam dois eletrodos para destruir esses tecidos", explicou Wang. "O mais difícil é localizar os tecidos, que são ligeiramente diferentes em cada pessoa, mas eles podem ser encontrados através de ressonância magnética".Este tratamento foi utilizado para tratar Parkinson, tumores cerebrais e epilepsia, e vários países europeus experimentaram a cirurgia com dependentes químicos no fim da década de 70, segundo a imprensa chinesa.A técnica se popularizou na Rússia na década de 90, e na China ela começou a ser aplicada em 2000, após ter sido testada em animais. Antes da China tornar esta cirurgia temporariamente ilegal "alguns hospitais operavam de maneira incorreta ou não contavam com doutores suficientemente preparados", explicou Wang.

Agencia Estado,

24 de junho de 2005 | 17h47

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