Medidas de emergência reduzem espuma em Pirapora

Pelo menos durante a madrugada e o início da manhã de hoje, Bom Jesus de Pirapora não foi invadida pela espuma. Os blocos brancos provocados pela poluição do Rio Tietê - que cobriam a parte baixa da cidade - se dissiparam em virtude da medida de emergência tomada pelo governo do Estado. O mau cheiro, porém, ainda era presente na cidade, que fica a 54 quilômetros da capital paulista."Esperamos que agora a vazão da água da represa não provoque novamente o aumento da espuma", disse o governador Geraldo Alckmin. Para tentar resolver o problema, a barragem passou a funcionar com uma menor vazão de água nos períodos de maior volume na barragem - madrugada e manhã.De acordo com o secretário dos Recursos Hídricos e Energia, Mauro Arce, as comportas são acionadas em períodos preestabelecidos. "Quando anoitece, a vazão nas comportas é menor. Já durante o dia, a quantidade é aumentada, pois o sol ajuda a dissolver a espuma." Uma outra medida, - o envio dos caminhões-pipa - ainda não foi usada.LimpezaO governador anunciou que o Estado disponibilizará 250 vagas da Frente de Trabalho para limpar as regiões atingidas pela poluição. Serão também enviados medicamentos para os hospitais. Alckmin disse ainda que, para comemorar o aniversário da cidade - dia 6 de agosto - serão pintadas todas as casas que ficam no entorno do rio.Segundo o secretário, o volume de espuma em alguns dias da semana foi ocasionado também pela insuficiência de água nos aspersores - chuveirinhos - que borrifam água. "Por causa do tempo seco, o Córrego Caracol muitas vezes não tem água suficiente para transferir para os aspersores."Para o governador, a solução para o problema - que se arrasta há mais de 28 anos - está na construção da estação de coleta e no tratamento do esgoto da cidade. "Em outros governos, a busca para a solução foi sendo construída aos poucos."SustentoAo lado da barragem de Pirapora, o mecânico Antônio dos Santos, de 48 anos, consegue o sustento da família. Desempregado há mais de três anos, ele vê nisso um mercado promissor. "O meu ganha-pão é com a venda da sujeira que vem do Rio Tietê. Quando as comportas abrem, vem de tudo, desde garrafas pets a latinhas", diz.O paulistano Santos saiu de Interlagos, na zona sul, há três anos. Mesmo com a mudança de ares, o mecânico não conseguiu um trabalho fixo. "A única solução foi enfrentar as águas sujas da represa", conta.Santos trabalha mais de 18 horas por dia e para ter um salário de R$ 150,00 precisa encher um caminhão com garrafas pets e disputar com as correntes do Tietê os materias. "Fico na beira do rio. Quando passa alguma garrafa, entro na água e retiro. Por isso, as minhas unhas dos pés foram caindo. Só tenho a do dedão."

Agencia Estado,

05 de julho de 2003 | 14h42

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