Melancia sem sementes chega aos supermercados

A evolução das espécies - ainda queinduzida pelo homem - chegou finalmente à melancia. Motivo deprincipal reclamação para mais de 70% dos consumidores da fruta,a semente não precisa mais estragar o prazer da degustação. A partir deste mês chegam a 2 mil pontos-de-venda dasprincipais redes de supermercados do País duas versões demelancia sem sementes, nas cores vermelha e amarela. Embora a "evolução" genética já esteja disponível háalguns anos nos Estados Unidos, e tenha aparecido no Brasil deforma experimental no ano passado, só agora a fruta passará aser entregue aos pontos-de-venda de maneira sistemática e seminterrupções durante o ano todo. "Vendemos 1 milhão de quilosno ano passado e a aceitação foi tão boa que aumentamos aprodução para 6 milhões de quilos", afirma José Luiz Vinha,sócio-diretor da Nacamura, empresa especializada em frutas ehortaliças especiais. A melancia sem sementes é o primeiro projeto da empresafundada no início do ano em Santa Cruz das Palmeiras (SP), edeverá representar um faturamento inicial de R$ 5 milhões esteano. Com uma "vida útil" de 90 dias sem perder o frescor (aespécie normal dura no máximo 15 dias), a melancia "evoluída"já conquistou 35% do mercado norte-americano e Vinha estima umpotencial similar aqui no Brasil.Preço salgadoA versão sem sementes chega aoconsumidor final três vezes mais cara do que a comum, de R$ 0,80a R$ 1 o quilo. Como a fruta representa uma oportunidade deaumentar a rentabilidade em até quatro vezes, os produtoresestão bastante empolgados. Na semana passada, durante a feira deagronegócios Agrishow, em Ribeirão Preto, a Nacamura fechoucontratos com mais de dez grupos de produtores do norte ao suldo País. "Nosso plano inicial para este ano era produzir em umaárea de 200 hectares, mas já aumentamos para 300 hectares devidoao interesse dos produtores", diz Vinha. A área de 300 hectaresnão representa nem 0,5% de toda a plantação de melancias no País que no ano passado foi de 80 mil hectares. Dentro de 3 anos,porém, Vinha prevê participação de 2,5% (2 mil hectares)."Daria para crescer mais rápido, mas precisamos aindaconsolidar o mercado." Para não desestimular os produtores interessados, apartir do ano que vem a Nacamura planeja produzir além dacapacidade de consumo nacional, visando ao mercado externo. Aprodução própria da Nacamura não passa de 50 hectares e aempresa pretende aumentar a área plantada em parcerias comagricultores. Quem planta tem a garantia de venda de toda aprodução para a Nacamura. "A tercerização nos permiteconcentrar os esforços em marketing, distribuição e logística",afirma Vinha.

Agencia Estado,

06 de maio de 2002 | 20h37

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