Melhora situação dos aterros da Grande São Paulo

A disposição do lixo doméstico na Região Metropolitana de São Paulo teve uma significativa melhora nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares de 2002, que ficou pronto no final de fevereiro, mostra que 19 dos 39 municípios têm pontuação entre 8 e 10 no Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos (IQR), enquadrando seus sistemas de tratamento de lixo como adequados. Em 1997, quando o levantamento começou a ser feito, somente duas cidades, Santo André e Rio Grande da Serra, conseguiram esse índice.Segundo os coordenadores do Inventário, Aruntho Savastano Neto e André Luís Ferreira, da diretora de Controle de Poluição Ambiental da Cetesb, os dados mostram que os municípios mais populosos da RMSP estão equacionando os problemas relativos aos resíduos. Com 18 milhões de habitantes, a Grande São Paulo produz 11.456,6 toneladas de lixo doméstico por dia, das quais 9.852,8 toneladas (86% do total) têm tratamento adequado.O cálculo do IQR é feito com base em levantamento de campo de técnicos da Cetesb, sobre as características locacionais, estruturais e operacionais dos sistemas de tratamento de lixo, considerando a população urbana de cada cidade e a produção de resíduos ?per capta?. Municípios com pontuação entre 6 e 8 são considerados controlados, enquanto notas abaixo de 6 indicam condições inadequadas. Atualmente, cinco cidades tem situação controlada e 15 continuam inadequadas. Em 1997, esses números eram 9 e 29 respectivamente.Grandes geradoresO maior gerador de lixo doméstico da RMSP é São Paulo, com 6.946,5 toneladas/dia, seguido de Guarulhos, com 751,8 toneladas, São Bernardo do Campo, com 488,8 toneladas, Osasco, com 460,8 toneladas, e Santo André, com 458,1 toneladas. Destes, apenas Osasco, com IQR 7,4, ainda não conseguiu adequar a disposição dos resíduos. Em 1997, Guarulhos era o município em pior situação entre os grandes, com IQR 3,1. Atualmente, sua pontuação é 9,4.A destinação do lixo doméstico é uma atribuição dos municípios que, para dar conta do recado, utilizam diferentes sistemas. A Prefeitura de São Paulo opera os aterros sanitários Bandeirante e São João, obtendo IQR 8 em 2002. No primeiro levantamento, porém, o Bandeirante teve IQR 7,3 e, por conta disso, a situação do município naquela época foi considerada apenas controlada. Guarulhos e Osasco também operam sistemas próprios. Enquanto isso, São Bernardo do Campo e Santo André buscaram uma solução conjunta com o município de Mauá, destinando os resíduos no aterro de Sertãozinho.Problema futuroA melhora na qualidade dos aterros não significa que os problemas de destinação de lixo na Região Metropolitana estejam caminhando para uma solução. ?O inventário retrata apenas o momento, não faz prognóstico para o futuro. Mas, com a geração atual de lixo, não dá para ficarmos contentes, pois a capacidade dos aterros e finita e dispor adequadamente não quer dizer que existam mais áreas disponíveis?, diz Ferreira.Os dois aterros de São Paulo, por exemplo, estão com capacidade perto do esgotamento. Atualmente, a Secretaria de Serviços e Obras (SSO) e o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) estudam novos lugares dentro do município. Entretanto, as zonas sul e norte têm limitações, por causa dos mananciais, e a oeste é a menor em extensão territorial. Existe a possibilidade de aumentar o São João, na zona leste, mas não está descartada a escolha de locais fora dos limites da capital.

Agencia Estado,

07 de março de 2003 | 13h09

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