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Menina que morreu aos 9 anos deve se tornar santa

Processo de beatificação e canonização de Odetinha, que morreu no Rio em 1939, será aberto na sexta-feira

José Maria Mayrink,

16 Janeiro 2013 | 00h01

Odete Vidal de Oliveira, a Odetinha da devoção de católicos do Rio e Estados vizinhos, passará a ser chamada de Serva de Deus a partir do dia 18, quando o arcebispo d. Orani João Tempesta abrir o processo canônico de beatificação e canonização que deve fazer dela mais uma santa brasileira. Será a primeira santa carioca, se seu processo correr mais rápido que o da conterrânea Madre Maria José de Jesus, freira carmelita e filha do escritor Capistrano de Abreu.

Odetinha morreu de hepatite e paratifo, em 1939, aos 9 anos. Já gozava de fama de santidade, a primeira condição para a Igreja aceitar a abertura da causa de beatificação. Seu túmulo passou a ser um dos mais visitados no Cemitério São João Batista. Movimento maior, só junto à sepultura da cantora Carmen Miranda, informa o padre João Cláudio Loureiro do Nascimento, responsável pelo levantamento da história da menina na comissão de peritos nomeada para tocar o processo.

Odetinha nasceu em 1930, em Madureira, zona norte do Rio, e morreu em Botafogo, na zona sul, após 49 dias de enfermidade. Seu pai, o português Augusto Ferreira Cardoso, morreu de tuberculose durante a gravidez de Alice Vidal, também portuguesa, que se casou com outro patrício, o comendador Francisco Rodrigues de Oliveira, dono de frigorífico.

"Como Alice se casou antes de Odetinha nascer, pouco depois da morte do marido, a cerimônia de casamento foi realizada em casa, com licença especial do arcebispo, para não se escandalizar a sociedade", disse padre João. Oliveira a registrou como filha.

Odetinha aprendeu o catecismo na Paróquia da Imaculada da Conceição e fez a primeira comunhão no Colégio São Marcelo, aos 7 anos, quando começou a estudar no Sion, no Cosme Velho. Desde cedo, acompanhava a mãe à missa. Gostava de rezar e, desde os 4 anos, parecia ter "colóquios íntimos" com Jesus.

Odetinha aproveitava o dinheiro e a devoção do pai milionário para ajudar os pobres. "Ela pedia aos empregados que atendessem sempre a quem batesse à porta de sua casa, costumava visitar orfanatos e ajudava a servir a feijoada que a mãe oferecia aos sábados a pessoas carentes", informa padre João. "Amigo de d. Hélder Câmara (então bispo auxiliar do Rio), o comendador socorreu o Banco da Providência, ameaçado de ir à falência, e ajudou várias instituições religiosas", completou.

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