Mercado de celulose quer ter boa imagem ambiental

O mercado brasileiro de papel e celulose quer aumentar a divulgação dos programas ambientais do setor e desvincular sua imagem do setor madeireiro tradicional. ?Todo o papel no Brasil é produzido com árvore plantada, mas muitas vezes somos confundidos com os depredadores da Amazônia?, disse Fernando Franzoni, presidente da Associação Nacional dos Profissionais de Venda em Celulose, Papel e Derivados (Anave), que está realizando o 27o Fórum de Análise do Mercado de Celulose, Papel e Indústria Gráfica, de hoje a quarta-feira, em São Paulo.Durante o primeiro dia do evento, dedicado ao tema desenvolvimento sustentável, foi anunciada a realização, no próximo ano, da Exposição do Meio Ambiente no Setor de Celulose, Papel e Derivados da Eco-Anave-Bracelpa. ?As indústrias do setor fazem grande investimentos na área ambiental, mas divulgam individualmente. O setor precisa se reunir e mostrar o que está fazem em conjunto?, avalia Franzoni.Embora trabalhe com madeira plantada, sobretudo eucalipto e pinus, a indústria de papel e celulose é ainda associada a desmatamento e a poluição. Para o setor, no entanto, essa imagem já não corresponde à realidade. ?O setor evoluiu no tempo e se adaptou às novas leis e necessidades. A substituição de matas nativas por reflorestamentos ou a utilização de araucária aconteceram sobretudo até 20 anos atrás, quando havia incentivo fiscal para que se substituísse terra improdutiva por produtiva. Essa é uma realidade daquela época, mas que ficou associada à atividade?, diz o agrônomo Celso Foelkel, presidente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel.Segundo Foelkel, a altíssima tecnologia florestal alcançada permitiu ao setor dobrar a quantidade de celulose produzida nos últimos 15 anos, praticamente mantendo a área de produção. ?Só que a madeira de reflorestamento passou a ser demandada também por outros setores, criando a necessidade da plantação de mais florestas. O que precisamos fazer é incentivar o produtor agrícola a utilizar essa tecnologia de ótima qualidade. Essa transferência tecnológica implica em educação e modernização?.Para o agrônomo, as áreas de plantação de florestas - hoje cerca de 5 milhões de hectares - ainda podem aumentar muito. ?A tendência, porém, é que não se plante mais áreas enormes, mas que o produtor combine o reflorestamento com outras culturas e atividades. Com isso, pode ocupar muita terra ociosa, já que o eucalipto e o pinus aceitam bem terras mais pobres e já esgotadas, como solos utilizados para pastos?.Outro indicador ambiental do setor de papel e celulose, conforme Foelkel, é a certificação, que já atinge cerca de 1 milhão de hectares. ?Existe consciência de que certificação é uma exigência do mercado, mas que melhora também a performance do negócio, que se torna mais eficiente?.

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