Mercado musical registra 1º aumento em sua receita bruta desde 1999

Com uma arrecadação de US$ 16,5 bilhões no mundo em 2012, crescimento foi de 0,3% no período, mostra relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica

Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2013 | 11h55

RIO - O ano de 2012 será lembrado como de recuperação da indústria fonográfica, aponta o "Relatório de Música Digital no Mundo", elaborado anualmente pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e divulgado nesta terça-feira, 26. Com uma arrecadação mundial de US$ 16,5 bilhões, foi a primeira vez, desde 1999, que o mercado musical global registrou um aumento em sua receita bruta. O crescimento foi tímido, de apenas 0,3%, mas representa um grande avanço no setor que é um dos mais afetados pela pirataria. Dois fatores são apontados como os principais responsáveis por essa mudança: o aumento expressivo das vendas digitais e a expansão de mercados internacionais como a Índia e o Brasil.

Somente no mercado digital de música, houve um aumento de 9% de receita em relação ao ano anterior, fechando 2012 com US$ 5,6 bilhões de arrecadação. É o segundo ano consecutivo que as vendas digitais registram um crescimento acelerado, e já respondem por 34% de toda a arrecadação do setor.

Se em janeiro de 2011 os serviços de download e assinatura mensal estavam presentes em 23 países, hoje eles já atingem mais de 100. E dos 20 maiores mercados musicais, o Brasil figura entre os oito que registraram maior crescimento. "O Brasil tem grande importância nesse cenário porque, dos emergentes, é o que tem apresentado desde 2008 um quadro bastante interessante, de praticamente estabilidade no suporte físico, e que no mercado digital tem crescido de forma consistente nos últimos anos", diz o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), Paulo Rosa.

De acordo com a ABPD, o faturamento da indústria nacional apresentou crescimento de 5,13% em comparação a 2011, atingindo R$ 392,8 Milhões. O aumento de 83% nas receitas da área digital compensou com folga a queda de 10% nas vendas de CDs, DVDs e Blu-Rays, quando foram comercializadas 25 milhões de unidades em 2012.

Paulo Rosa explica que essa redução é, na verdade, um retorno ao patamar registrado em 2010, já que o faturamento do suporte físico em 2011 foi atípico em virtude de dois fenômenos de vendas, o padre Marcelo Rossi e a sertaneja Paula Fernandes. O crescimento das vendas digitais no Brasil é influenciado diretamente pela abertura do iTunes ao mercado nacional. Desde que a loja virtual passou a comercializar com clientes brasileiros, em dezembro de 2011, o número de downloads pagos passou de 2,3 milhões para 23,8 milhões.

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