Meta de Obama para clima é insuficiente, dizem China e Índia

Embora acreditem que o plano é melhor do que o de Bush, países querem que combate seja mais rígido

Gerard Wynn e Alister Doyle , Reuters

03 de dezembro de 2008 | 17h46

As metas do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para controlar as emissões de gases do efeito estufa até 2020 são inadequadas para combater o aquecimento global, disseram à Reuters integrantes das delegações de China e Índia presentes à conferência de clima da ONU, nesta quarta-feira, 3.   Veja também:   Mudança climática pode elevar número de refugiados, diz ONU Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF Adaptação ao efeito estufa custará US$ 50 bi ao ano, diz ONG  Crise pode prejudicar atualização do Protocolo de Kyoto Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Página oficial da conferência  Gases estufa atingiram níveis recordes em 2007, diz ONU Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018   Os países em desenvolvimento saudaram o plano de Obama por metas mais rígidas do que as do presidente George W. Bush, mas afirmaram que o objetivo de Obama de cortar as emissões norte-americanas para os níveis de 1990 até 2020 não é suficiente para evitar o aquecimento global e seus perigos.   "É mais ambicioso que o presidente Bush, mas não o suficiente para alcançar a meta urgente e de longo prazo das reduções dos gases do efeito estufa," disse o integrante da delegação chinesa He Jiankun, da Universidade de Tsinghua, nos bastidores do evento que ocorre de 1o a 12 de dezembro.   As emissões norte-americanas, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis, estão cerca de 14% acima dos níveis de 1990, e os planos do governo Bush previam o aumento das emissões até 2025. Obama planeja cortar as emissões para 80% dos níveis de 1990 até 2050.   "Não é suficientemente ambicioso, quando se consideram as metas do Protocolo de Kyoto, mas, levando em conta os oito anos de administração Bush, é um progresso", disse Dinesh Patnaik, um dos diretores do Ministério das Relações Exteriores da Índia.   Os EUA isolaram-se em relação aos países industrializados ao não ratificar o Protocolo de Kyoto, que obriga 37 países desenvolvidos a cortar emissões até 2012 como um primeiro passo para evitar mais ondas de calor, inundações, secas e aumento no nível dos oceanos.   Os países em desenvolvimento presentes ao encontro da ONU, que reúne 187 nações em Poznan, na Polônia, disseram que os países ricos deveriam estabelecer metas ainda mais ambiciosas, de cortes de 25 a 40 por cento nos níveis de 1990 até 2020, apesar da crise financeira.   China e EUA são os principais emissores dos gases estufa, à frente de Índia e Rússia. A emissão per capita norte-americana, entretanto, é quase cinco vezes maior que a da China. Os países em desenvolvimento afirmam que os ricos são responsáveis pela maior parte do carbono emitido desde a Revolução Industrial.   As conversações em Poznan verificam o progresso feito até agora para um novo tratado da ONU que substituirá o Protocolo de Kyoto. Um acordo para o novo protocolo deve ser estabelecido até o fim do ano que vem, em Copenhague.

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