Meteorito contém componentes de DNA e RNA, diz estudo

Bases que tomam parte na formação de moléculas essenciais para a vida podem ter surgido no espaço

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

17 de junho de 2008 | 14h40

O meteorito Murchison, uma rocha espacial descoberta na Austrália em 1969, contém xantina e uracila, duas substâncias necessárias para  a formação de DNA e RNA, moléculas essenciais para a vida na Terra, dizem cientistas dos EUA e Europa na edição de 15 de junho da revista especializada Earth and Planetary Science Letters. Além disso, dizem eles, os átomos de carbono  encontrados nas substâncias detectadas no meteorito são de um tipo raro na Terra, o que praticamente garante que elas se formaram no espaço.      Meteorito reforça idéia de que bases da vida vieram do espaço  Pesquisa feita nos EUA diz que núcleo da neve contém bactérias Meteorito raro de 420 kg vai a leilão em Nova York  Vestígios de lago habitável são descobertos em Marte   "Na Terra, todas as reações quimicas envolvendo carbono usam uma forma leve de carbono (carbono 12). Por outro lado, as reações químicas no espaco envolvendo carbono usam uma foma mais pesada (carbono 13)", explica apesquisadora portuguesa Zita Martins, do Imperial College London, principal autora do artigo. "Quando analisamos moléculas orgânicas presentes em meteoritos, podemos saber se são de fato extraterrestres ou simples contaminacao terrestre".     "Estes resultados demonstram que compostos orgânicos, que são componentes do código genético na bioquímica moderna, já estavam presentes nos primórdios do sistema solar e podem ter desempenhado um papel na origem da vida", diz o texto que descreve a descoberta.   Esse resultado soma-se a outros que dão apoio à hipótese de que a vida pode ter começado a partir do encontro, na Terra, de moléculas originadas no espaço. "Ninguém sabe como é que saltamos de simples moléculas organicas na terra primitiva para seres vivos", diz a cientista. "Os nossos resultados mostram que as nucleobases estavam disponiveis na Terra primitiva, de 3,8 a 4,5 bilhões de anos atrás, para serem adotadas por sistemas de visa que estivessem a emergir por essa altura".   A formação dessas moléculas no ambiente espacial também é objeto de estudo - a Nasa, por exemplo, mantém um Laboratório de Gelo Cósmico que tenta recriar as reações químicas que acontecem a baixas temperaturas, pressões e na presença de radiação.       O próprio Murchison já revelou diferentes moléculas orgânicas no passado. E, em fevereiro deste ano, uma equipe diferente de pesquisadores havia anunciado que outro meteorito, achado na Antártida, apresentava uma predominância de aldeídos - os elementos formadores dos aminoácidos, que por sua vez formam proteínas - com o mesmo tipo de conformação visto nas proteínas usadas pelos seres vivos. O trabalho foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).   Além de estabelecer uma relação possível entre moléculas do espaço e a origem da vida na Terra, a descoberta de moléculas orgânicas complexas em meteoritos traz a possibilidade de que outros planetas tenham sido "semeados" com o mesmo tipo de matéria-prima, dizem cientistas.   "Como os meteoritos representarem materiais que sobraram da formação do sistema solar, os elementos chaves da vida podem estar espalhados pelo Universo", disse a pesquisadora. "Com a descoberta de mais e mais moléculas orgânicas fundamentais para a vida presentes em meteoritos e outros corpos celestes, a possibilidade de que a vida pode surgir onde as condições químicas certas ocorram é maior e mais provavel".   Atualmente, a Nasa procura por matéria orgânica em Marte, com a sonda Phoenix, e tem planos de sondar Europa, uma lua de Júpiter que, acredita-se, tem um oceano de água salgada sob a superfície, em busca de sinais de vida.   Atualizado às 13h48 de 18/06

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