Mico-leão-preto terá ?agência de casamento?

Uma das espécies em situação mais críticas da lista brasileira de fauna ameaçada de extinção, anunciada ontem, o mico-leão-preto será objeto de uma experiência de manejo, cujo objetivo é criar um banco genético para a espécie, atualmente reduzida a apenas mil animais. Através de um banco de linhagens, os pesquisadores vão administrar os ?casamentos? entre os 115 indivíduos que vivem em cativeiro, para garantir a diversidade do grupo.Segundo o primatólogo Cláudio Pádua, diretor científico do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) - entidade que gerencia o ?stud book? (livro de linhagens) da espécie -, os especialistas deverão se reunir uma vez por ano para fazer as recomendações de manejo. ?A recomendação pode ser, por exemplo, acasalar o macho do Zoológico de São Paulo com a fêmea do Zoológico de Brasília?, explica.Um encontro, realizado nesta semana, em Bauru, São Paulo, entre o IPE, o Ibama (responsável pelo Comitê Internacional para a Conservação e Manejo dos Micos Leões) e os zoológicos brasileiros que contam com exemplares da espécie (Brasília, São Paulo, Bauru e Centro de Primatologia do Rio de Janeiro) , definiu o plano mestre da iniciativa. Devem participar, ainda, zoológicos dos Estados Unidos, Austrália e Ilhas Jersey, únicos países, além do Brasil, que possuem micos-leões-pretos em cativeiro.?Até então, cada instituição cuidava dos cruzamentos apenas de seus animais. Agora, todos eles serão tratados como uma só colônia, aumentando a diversidade genética e o número de animais para fazer a reintrodução na natureza?, diz Pádua. Espécie natural da Mata Atlântica, apenas no estado de São Paulo, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) sobrevive em apenas duas pequenas áreas, no Pontal do Paranapanema e na região central do Estado, entre Bauru e Lençóis Paulistas.?Normalmente, os zoológicos esperam as populações em cativeiro crescerem bastante para depois reintroduzir. A novidade do projeto é gerenciar o manejo para ter, no máximo, 200 espécimes em cativeiro, mas com muita interação com a população na natureza. Isso significa fazer a reintrodução paulatinamente e, às vezes, tirar um indivíduos da natureza para manter a variabilidade do cativeiro, que deve funcionar como uma apólice de seguro da espécie?, conta o primatólogo.Mata AtlânticaA experiência com os micos-leões-pretos em São Paulo poderá ser utilizada pelos demais comitês de preservação dos demais micos-leões, todos ameaçados de extinção. Nativos da Mata Atlântica, os micos-leões estão presentes também na Bahia (mico-leão-de-cara-dourada), Rio de Janeiro (mico-leão-dourado) e Paraná (mico-leão-de-cara-preta). Entre os principais fatores que quase provocaram o extermínio dos micos-leões brasileiros estão a destruição das florestas de Mata Atlântica e o tráfico de animais silvestres.Nos últimos anos, os projetos conservacionistas foram responsáveis pela estabilização do decréscimo populacional dessas espécies. No caso do mico-leão-dourado, hoje com mil indivíduos, houve um aumento populacional. A estimativa é que existam ainda entre 6 e 15 mil micos-leões-de-cara-dourada e somente 400 micos-leões-de-cara-preta.

Agencia Estado,

23 de maio de 2003 | 15h13

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