Milhares acompanham enterro do papa copta no Egito

Milhares de pessoas acompanharam nesta terça-feira no Cairo o funeral do papa Shenouda 3º, chefe da igreja ortodoxa egípcia (copta), que passou seus últimos anos tentando confortar uma comunidade abalada pela ascensão do islamismo político.

YASMINE SALEH E TOM PFEIFFER, REUTERS

20 Março 2012 | 10h33

Shenouda, que morreu no sábado aos 88 anos, promoveu a harmonia religiosa, angariando o respeito da maioria muçulmana. Nos seus últimos anos de vida, porém, ele assistiu a um crescimento das tensões sectárias, agravadas pela derrubada do presidente Hosni Mubarak no ano passado.

"Não posso lhes dizer quanta tristeza tenho dentro de mim. Ele foi um grande, grande homem, e será difícil encontrar alguém como ele outra vez", disse o cristão copta Ivon Mosaed, de 52 anos, que dirige uma instituição educacional que oferece cursos de línguas estrangeiras.

Líderes religiosos do mundo todo, inclusive uma delegação de católicos do Vaticano, se juntaram aos milhares de coptas presentes na Catedral Ortodoxa do Cairo, onde padres barbudos e usando mitras pretas rezavam sobre o corpo de Shenouda, exposto em um caixão aberto, com uma mitra dourada na cabeça e um báculo com ponta de ouro na mão.

As orações, no antigo idioma copta do Egito, anterior à chegada do islã no século sétimo, foram comandadas pelo bispo Bakhomious, chefe da diocese do Delta do Nilo, ao norte do Cairo, que será o papa interinamente durante dois meses, até a eleição de um novo líder.

"Estou muito triste, é claro, e muito dos meus parentes muçulmanos estão tristes também", disse o universitário muçulmano Iman, que estava vestido de preto e usava um véu negro. "Ele era um egípcio decente, conhecido por ser muito sábio."

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