Militantes do Greenpeace presos em protesto contra Angra 3

Dez manifestantes do grupo Greenpeace foram presos na manhã desta quarta-feira em Brasília durante protesto realizado na cúpula do Senado. Aproveitando as comemorações da Semana do Meio Ambiente, integrantes da organização queriam chamar a atenção da população para a possibilidade de abertura da usina Angra 3.A intenção era colocar na cúpula do Senado um pano preto com o símbolo da energia atômica. Para não danificar a cúpula, pesos de borracha seriam usados para operação. A escalada, no entanto, foi interrompida com a chegada de policiais, cerca de meia hora depois do início do protesto.Ativistas foram empurrados, algemados e levados ao 2° Distrito Policial. Um repórter fotográfico da agência France Presse também foi detido. Depois de prestarem depoimento, os integrantes deveriam ser encaminhados para o Tribunal Especial de Causas Criminais. A acusação era de desobediência e resistência à prisão. "Era para ser um protesto pacífico, mas deu no que deu. Acho que os policiais sentiram-se invadidos, ameaçados", afirmou o coordenador do Greenpeace, Sérgio Dialetachi, momentos antes de ser ouvido na delegacia.Ele negou, porém, que tenha havido desobediência. "Todos os voluntários do Greenpeace são orientados a não responder com violência, seja ela física ou verbal. Assistimos vídeos sobre prováveis reações de policiais e autoridades. O máximo que fazemos, por exemplo, é cruzar os braços para dificultar a colocação das algemas. É mais uma forma de protesto."A escolha do Senado para a manifestação, disse Dialetachi, não foi à toa. "Nossa intenção era a de chamar mostrar aos parlamentares a importância de não assistir parado a decisão de instalação de mais uma usina nuclear", completou Dialetachi.O Greenpeace afirma que a energia nuclear é uma forma suja, arriscada e cara de obtenção de energia. O grupo sustenta, ainda, haver várias soluções mais baratas, mais rentáveis e seguras para obtenção de energia. Entre as enumeradas por Dialetachi estão a repotencialização das usinas de geração de energia. "Todas foram construídas baseadas em projetos de 40 anos´, afirmou.Ele acredita que, com a substituição das turbinas por modelos mais novos e eficientes, haveria um acréscimo na produção elétrica de cerca de 15%. Citou, ainda, a necessidade de aumentar a economia de energia e o uso da energia solar, eólica e também o emprego acompanhado de biomassa, como bagaço de cana.

Agencia Estado,

04 de junho de 2003 | 18h23

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.