Militares dos EUA vão comprar e construir satélites espiões

Satélites poderiam espionar movimentos das tropas inimigas e encontrar construções de instalações nucleares

AP

01 de julho de 2008 | 17h26

O Departamento de Defesa norte-americano vai comprar e operar um ou dois satélites comerciais e planeja desenvolver e construir outro com capacidades mais sofisticadas de espionagem, de acordo com representantes do governo e da indústria privada.  Os satélites poderiam espionar movimentos das tropas inimigas, encontrar construções de instalações nucleares e alertar comandantes para novos campos de treinamento militar.  O sistema de satélite Broad Area Surveillance Intelligence Capability (Basic) vai custar entre US$ 2 bilhões (R$ 3,2 bi) e US$ 4 bilhões (R$ 6,4 bi). Ele vai se somar à constelação secreta de satélites que já circunda a Terra, produzindo imagens que se somam em um grande mosaico. Um único satélite pode passar por um mesmo ponto da Terra duas vezes por dia. Os satélites adicionais Basic vão permitir que as fotos sejam atualizadas com mais freqüência, para alertar o governo dos Estados Unidos para problemas potenciais, crises humanitárias ou desastres naturais.  O anúncio do programa Basic, esperado para essa semana, foi adiado por meses, por conta de uma disputa entre o Pentágono, a Força Aérea e o National Reconnaissance Office pelo controle da compra, construção e operação dos satélites. Eles também debateram que necessidades o novo sistema vai atender: às dos comandantes militares ou às dos políticos de Washington. Em jogo estava não só dinheiro, mas poder: verbas de bilhões de dólares podem ser agarradas e as missões tradicionais e a maneira de fazer negócios estão na balança.  O escritório de National Reconnaissance ganhou o direito de comprar e operar os satélites, derrotando a Força Aérea. E as necessidades dos comandantes militares superaram as da Casa Branca. Eles irão, pela primeira vez, ter o poder de dizer o que os satélites vão fotografar. É o que chamam de "determinação garantida". "O campo de batalha hoje em dia é tão dinâmico que precisamos ter a capacidade de responder rapidamente. Saber que teremos a oportunidade de ter o 'determinação garantida' na próxima passagem do satélite se torna algo bastante crítico e de muita ajuda para o Pentágono no planejamento de suas ações", disse Josh Hartman, diretor do Pentágono para a aquisição de capacidade e inteligência espacial.  Comandantes militares desejam há muito tempo ter esse tipo de controle. Hoje em dia, eles submetem seus pedidos a uma autoridade de inteligência que prioriza as missões. Algumas vezes, os pedidos são atrasados ou rejeitados.  O novo sistema de satélite deve superar a grande lacuna criada, segundo crêem as agências de inteligência, pelo cancelamento, em setembro de 2005, de um importante componente do sistema Future Imagery Architecture, gerenciado pelo National Reconnaissance. A empresa contratada, Boeing Co., teve problemas técnicos no desenvolvimento do satélite e gastou cerca de US$ 10 bilhões, estourando sua verba de no máximo US$ 5 bilhões. O Pentágono agora espera que o Basic vá completar algumas das capacidades perdidas.  Primeiro: ele vai aumentar quantidade de imagens que a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial compra das empresas de satélite comerciais GeoEye e DigitalGlobe, que se espera que coloquem quatro novos satélites em órbita até 2013. O Exército do país tem um contrato de US$ 1 bilhão com duas empresas de satélite para a compra de imagens espaciais.  Segundo: a National Reconnaissance vai comprar e operar um ou dois satélites comerciais com resolução de 40 centímetros, provavelmente até 2014.  Terceiro: National Reconnaissance vai desenvolver e construir um satélite mais avançado a ser lançado em 2018. A capacidade desse satélite , conhecido como Block II, vai ser definida depois.  Dando suporte a tudo isso estará uma nova estação de inteligência para baixar as imagens diretamente dos satélites e disponibilizá-las para todos os usuários e que vai também, em teoria, permitir que eles acessem o banco de dados que contém todas as imagens produzidas por equipamentos espiões e fontes como satélites, aeronaves e sensores terrestres.

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