Ministério Público investiga denúncia de ambientalistas

O Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar o abandono da Reserva Biológica do Tinguá, na Baixada Fluminense, a partir de representação feita por ambientalistas que defendem a área.Os ambientalistas pedem o indiciamento da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do presidente do Ibama, Marcos Barros, e do superintendente do órgão no Rio, Edson Bedin, com base na Lei de Crimes Ambientais, pelo que consideram descaso com a reserva.?No momento, estamos investigando as denúncias. Mas se ficar apurada a responsabilidade das autoridades pelo mau funcionamento dareserva, eles podem ser indiciados, sim?, confirmou a procuradora Ana Paula Ribeiro Rodrigues, do MPF de São João de Meriti.PromessasNa representação, os ambientalistas listam uma série de promessas não cumpridas feitas por ocasião da morte do ativista Dionísio Júlio Ribeiro Filho, que ajudou a criar a reserva e foi assassinado por um caçador no início do ano: aumento do número de fiscais na reserva, compra de automóveis e equipamentos de comunicação.A assessoria de imprensa do Ibama reconheceu que não houve novas contratações mas informou que o número de fiscalizaçõesaumentou, com ações em parceria com a Polícia Federal. E que há um projeto de revitalização da reserva que inclui construção degaragem, aquisição de carros, entre outras medidas.Greve de fomeO agente de fiscalização do Ibama Márcio Castro das Mercês, em greve de fome desde o último sábado, transferiu-se na quinta-feira paraa frente da sede do instituto, na Praça 15. Ele protesta contra a sua transferência da reserva do Tinguá para o Parque Nacional da Serra dosÓrgãos e contra o ?descaso do poder público? com a reserva.Mercês está numa gaiola de bambu. Desde sábado, alimenta-se apenas com água, café e água de coco.?Estou sentindo fraqueza para andar, dor de cabeça, dor no estômago e com episódios de ilusão de ótica?, disse o ecologista, que não tem acompanhamento médico.Ele ganhou a solidariedade do jornalista Ricardo Portugal, que entrou na gaiola e começou também a fazer greve de fome.De acordo com a Assessoria de Imprensa do Ibama, o agente foi transferido para preservá-lo das ameaças de morte que ele informou ter sofrido.

Agencia Estado,

26 de agosto de 2005 | 10h58

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.