Ministério reage contra liberação de algodão transgênico

O Ministério do Meio Ambiente vai recorrer da decisão da CTNBio que libera o plantio de algodão transgênico no País. O secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco, classificou a decisão de irresponsável e apressada."Foi uma atitude lamentável, que põe em risco a produção brasileira", disse ele nesta segunda-feira.O recurso deverá ser interposto nos próximos dias e terá de ser avaliado pela própria CTNBio. Antiga reivindicação dos produtores, a permissão para o plantio de sete tipos de sementes geneticamente modificadas de algodão foi concedida na semana passada pela CTNBio.O secretário, no entanto, afirma que, com o plantio, sementes de algodão usadas para uso medicinal poderão ser contaminadas. "Foi uma irresponsabilidade. Um ato que não contou com pesquisas, estudos de impacto", criticou.BiossegurançaPara Capobianco, o episódio pode ser usado como trunfo durante as discussões do Projeto de Lei de Biossegurança, que aguarda avaliação na Câmara dos Deputados. Na versão aprovada pelo Senado, os poderes da CTNBio foram ampliados.Pelo texto aprovado, órgãos de fiscalização, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), não podem vetar ou opinar sobre decisões da CTNBio. "O exemplo do algodão mostra o quanto isso é arriscado", disse.O secretário defende o retorno do texto que havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados antes de ser remetido para avaliação do Senado. "Ele é um retrata de forma mais fiel o projeto preparado por um grupo interministerial", disse.Capobianco afirma que as sementes transgênicas de algodão têm potencial de risco de contaminação muito elevado."Não há como comparar com a soja. Uma planta que não era nativa, que não tem parentes silvestres e, assim, dificilmente pode contaminar as demais", disse. "Com o algodão ocorre o contrário: é uma planta nativa, o que possibilita a polimerização cruzada e assim, a contaminação de sementes nativas", disse.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2004 | 22h40

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