Ministro defende lei de embriões híbridos na Inglaterra

Alan Johnson defendeu as pesquisas embrionárias e disse que declarações da Igreja são 'distorções'

Efe

23 de março de 2008 | 19h12

O ministro britânico de Saúde, Alan Johnson, defendeu neste domingo, 23, o polêmico projeto de lei do Governo trabalhista sobre pesquisas embrionárias e fertilidade, frente às duras críticas da Igreja Católica. O projeto legislativo, que se submeterá a votação na Câmara dos Comuns nas próximas semanas, contempla a criação de embriões híbridos, que combinam DNA de animais e seres humanos, destinados à pesquisa com fins terapêuticos. Em declarações a vários meios de imprensa, Johnson afirmou que é uma "distorção dizer, como fez a igreja católica neste país, que a iniciativa governamental produzirá 'Frankensteins' ou 'monstros híbridos'." Segundo o ministro, o projeto de lei pode ajudar a conseguir tratamentos para curar doenças como o Alzheimer ou o Parkinson. A controverso projeto poderia provocar uma dissidência no próprio Governo, que pediu a seus deputados disciplina de voto nesses assuntos, uma decisão que inquieta os três ministros católicos que fazem parte do Executivo: Des Browne (Defesa), Ruth Kelly (Transportes), e Paul Murphy (ministro para Gales). O arcebispo de Westminster, Cormac Murphy-O'Connor, primaz católico da Inglaterra e Gales, pediu neste domingo, 23, ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que permita aos deputados trabalhistas votar de acordo com suas consciências. "Acho que os católicos na política devem atuar segundo suas convicções católicas, como fazem outros cristãos e outros políticos", disse o arcebispo. O cardeal Keith O'Brien, primaz católico na Escócia, foi mais contundente e qualificou o projeto legislativo de "ataque monstruoso contra os direitos humanos, a dignidade humana e a vida humana." Ao contrário do Governo, os líderes dos partidos Conservador, David Cameron, e Liberal-democrata (terceira força política britânica), Nick Clegg, deram liberdade de voto a seus parlamentares.

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