Ministros divulgam moção pelo Tratado de Kyoto; Rússia mantém posição contraditória

Os ministros de Ciência e Tecnologia do Brasil, Portugal, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique assinaram nesta sexta-feira, no Rio, uma moção de apoio ao Protocolo de Kyoto, em reação à posição da Rússia, que vem dando sinais contraditórios quanto à ratificação do tratado de controle de gases que provocam o efeito estufa. Sem a assinatura da Rússia, responsável por 17% das emissões no planeta, o tratado não pode entrar em vigor, porque requer o apoio de países responsáveis por 55% das emissões globais.O manifesto foi publicado na II Reunião Ministerial de Ciência e Tecnologia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que terminou nesta sexta. O ministro brasileiro, Roberto Amaral, disse que a moção ?um apelo aos grandes emissores de gases poluentes, no sentido de que eles assinem o Protocolo de Kyoto, pensando um pouquinho menos em suas indústrias poluentes e um pouco mais no conjunto da humanidade, e em particular nos países do terceiro mundo?, segundo a Agência Brasil.Além de Amaral, assinam o documento os ministros de Angola, João Batista Ngandajina, de Guiné-Bissau, Maria de Fatima Silva Barbosa, de Portugal, Maria da Graça Carvalho, e de Moçambique, Lidia Maria Arthur Brito. O tratado estipula limites para a emissão de gases, e isso tem impacto em atividades industriais dos países com maior taxa de emissão, como a Rússia. Os Estados Unidos, país que mais emite gases do efeito estufa, anunciaram que não ratificarão o tratado.Pressão dos dois ladosA pressão sobre a Rússia ocorre pelos dois lados. O governo Bush (que retirou o apoio dado por Bill Clinton ao tratado) tenta evitar a adesão russa, enquanto a União Européia e os países em desenvolvimento querem a ratificação pelos russos. Nesta semana, dois representantes do Kremlin deram informações contraditórias sobre a decisão a ser tomada pelo presidente Vladimir Putin.O conselheiro econômico do Kremlin, Andrei Illarionov, disse terça-feira que seu país não ratificará o acordo. Na quarta, o vice-ministro do desenvolvimento e comércio, Mukhamed Tsikanov, desmentiu Illarionov, afirmando que o país caminhava para ratificar o tratado, embora a decisão ainda não estivesse oficialmente tomada. Na quinta, Illarionov afirmou que está falando em nome do presidente Putin, que teria considerado o tratado ?inaceitável?.Analistas afirmam que Putin ainda não tomou uma decisão sobre o tratado e é pouco provável que o faça antes das eleições presidenciais, em março. As declarações contraditórios seriam uma forma de checar as reações a diferentes posições.

Agencia Estado,

05 de dezembro de 2003 | 17h38

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