Miséria e equilíbrio ambiental não combinam, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso na cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente para dizer que, nos últimos anos, os brasileiros ?foram submetidos a uma verdadeira lavagem mental?, quando os ?interesses do mercado ganharam legitimidade oficial para se sobrepor às demais instâncias da vida, seja a instância social ou a ambiental?.Segundo o presidente, por causa disso, ?inverteram-se os valores e decretou-se a primazia dos meios sobre os fins, do secundário sobre o principal e do especulativo sobre o produtivo?, que está levando o País a pagar o ônus. Para o presidente, é preciso vencer esta predominância e ?recolocar o primado dos valores humanos acima do reinado das cifras?.O ataque ao mercado foi feito justamente no momento em que Lula está sendo pressionado, inclusive pelo vice-presidente José Alencar, para mudar a política econômica, reduzindo os juros e permitir o crescimento da economia.Em seu discurso, Lula afirmou que ?ainda existe por parte de muita gente, uns por inocência e outros por má-fé, a vontade de passar a idéia para a sociedade de que quem defende o meio ambiente é contra o desenvolvimento, como se o desenvolvimento fosse apenas a destruição do que nós herdamos da natureza para colocar outra coisa no lugar?.Para ele, ?é plenamente possível estabelecer uma boa política de desenvolvimento, sem destruir a natureza, sobretudo, utilizando as riquezas que dela podemos extrair para o próprio desenvolvimento das regiões em que ainda mantemos as nossas matas, os nossos rios, a nossa fauna preservada?.Depois de defender a inclusão de uma matéria sobre meio ambiente no currículo escolar, o presidente se recordou do tempo em que era difícil ser ecologista. ?Lembro o quanto o pessoal que defendia o meio ambiente era achincalhado neste Brasil?, disse ele, acrescentando que, ?se quisermos fazer uma grande revolução neste país, sem precisar dar um único tiro ou ferir qualquer pessoa, a gente faz essa revolução a partir da família e a partir do banco de uma escola?.Segundo ele, assim como a luta contra a fome requer parceria com a sociedade, um dos desafios de seu governo é promover uma ?verdadeira revolução mental? na cabeça das pessoas: ?É superar o individualismo estéril que invadiu o imaginário brasileiro após uma década de pregação hostil contra tudo que fosse bem comum, contra o interesse coletivo, contra a soberania nacional, contra os valores da solidariedade e contra o patrimônio público?, declarou.O presidente salientou ainda que ?equilíbrio ambiental e a miséria são incompatíveis? e que é preciso haver crescimento econômico com justiça social e preservação do meio ambiente. ?Jamais conseguiremos adotar uma política efetiva de preservação ambiental sem recuperar essa consciência do interesse público, uma consciência que encare a natureza e os bens comuns deste país como patrimônios intocáveis, que devem ser protegidos dos apetites egoístas para que possam alicerçar nosso presente e pavimentar o nosso futuro.?Ao condenar os responsáveis pelo desmatamento, desabafou: ?O egoísmo não permite que se entenda que os outros que virão depois deles precisam encontrar pelo menos a casa em ordem, e a casa, neste caso, é o planeta Terra, e é aqui, para nós, é o nosso querido Brasil?.Na cerimônia, cheia de homenagens a Chico Mendes ? a filha do seringalista morto em 1988 também discursou em defesa da natureza ? Lula pregou ?um novo padrão de preservação ambiental no País? ao dizer que ?a nossa natureza é rica e bela, mas não é ela que vai salvar o Brasil?.

Agencia Estado,

05 de junho de 2003 | 18h49

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