Missa inaugural do papa Francisco deve abarcar religião e política

O Vaticano se prepara para receber uma enorme multidão na missa inaugural do papa Francisco na terça-feira, um evento que abarcará religião e política, reunindo nobres europeus, chefes de Estado e líderes espirituais mundiais.

PHILI, Reuters

18 Março 2013 | 20h28

Centenas de milhares de pessoas devem se aglomerar na praça de São Pedro e arredores para a missa que instalará formalmente o argentino Jorge Mario Bergoglio como o novo líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.

Essa deve ser a maior multidão em Roma desde que 1,5 milhão de pessoas acompanharam a beatificação do falecido papa João Paulo 2º, em 1º de maio de 2011.

O Vaticano disse que seis monarcas, inclusive da Bélgica e de Mônaco, estarão entre os líderes de mais de 130 delegações participantes.

Um participante muito especial será Bartolomeu 1º, patriarca ecumênico do cristianismo ortodoxo. Será o primeiro líder espiritual do cristianismo ortodoxo a comparecer a uma missa papal inaugural desde o Cisma do Oriente, em 1054.

Haverá também mais de 30 delegações representando outras Igrejas cristãs e representantes das comunidades judaica e islâmica.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros governantes ocidentais estarão na mesma ala VIP que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que tecnicamente estará violando uma proibição de viagens imposta pela União Europeia por causa de suspeitas de fraude eleitoral e violações dos direitos humanos. Como o Vaticano não é parte da União Europeia, ele não poderá ser incomodado.

O Vaticano salientou que não envia convites para esses eventos, mas que eles são abertos a representantes de todos os países.

Também nesta segunda-feira, o Vaticano apresentou o novo brasão de armas do papa, semelhante ao que ele usava como arcebispo de Buenos Aires, com símbolos representando Jesus, Maria e José.

O lema do brasão será "Miserando atque eligendo" ("Tendo tido misericórdia, ele o chamou"), que vem de uma meditação do venerável Bede, um monge inglês do século 8, a propósito de uma passagem do Evangelho em que Jesus convida São Mateus para se tornar um apóstolo.

Em vários sermões e comentários desde sua surpreendente eleição na quarta-feira, Francisco pediu às pessoas que sejam mais misericordiosas e menos propensas a condenarem falhas alheias.

O anel papal escolhido por Francisco é feito de prata banhada a ouro e retrata São Pedro segurando as chaves do céu.

O anel e um pálio, vestimenta litúrgica usada em volta do pescoço e feita de lã de cordeiro, para simbolizar o papel de Jesus como pastor das almas, serão colocados no local onde se acredita que São Pedro esteja sepultado.

As duas peças passarão a noite no local, e o papa os colocará antes da missa.

O Vaticano disse que cerca de 150 cardeais, inclusive os 114 prelados que participaram do conclave que elegeu Francisco, irão concelebrar a missa.

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