MIT implanta novo tratamento de esgoto em Furnas

O Massachusetts Institute of Techonology (MIT), dos Estados Unidos, um dos maiores centros de pesquisa do mundo, está implantando em Furnas uma nova tecnologia para tratamento de esgoto, que é 50% mais barata do que a tradicional.O projeto é desenvolvido pelo chefe do Departamento de Engenharia Sanitária da Faculdade de Engenharia Ambiental do MIT, Donald Harleman, que participou nestas quinta-feira do lançamento da campanha nacional SOS Águas do Brasil, no córrego do Ipiranga, em São Paulo.O sistema será instalado inicialmente na cidade de Alfenas (MG), para tratamento dos esgotos que são lançados na represa de Furnas, uma das maiores na geração de energia do País.A tecnologia Chemically Enhanced Primary Treatment (CEPT) usa os princípios do tratamento da água. "Há o tratamento convencional do esgoto, que usa processos biológicos e são efetivos, mas muito caros", explicou Harleman.O CEPT usa pequenas quantidades de produtos químicos, em um processo muito similar ao de obtenção da água potável, para limpar os resíduos do esgoto e devolver uma água menos contaminada. Segundo ele, a maioria das pequenas cidades já tem estação de tratamento de água e conhece a tecnologia. "Estamos propondo o mesmo tipo de tecnologia para tratamento de esgoto", afirmou. A redução nos custos de implantação e operação é de 50% em relação ao sistema convencional, com agentes biológicos. A implantação do sistema do MIT é especialmente importante neste momento de crise, para preservar os usos múltiplos das águas da represa."O nível de Furnas baixou muito pela necessidade de produção de energia e da falta de chuvas. O problema é que a água para beber também vem do próprio lago e abastece cerca de 3 milhões de pessoas, que moram nas cidades em volta do lago", comentou.Além disso, essa população descarrega o esgoto no lago, segundo Harleman. "Quando o lago abaixa, não tem água suficiente para diluir esse esgoto", apontou. Há duas atitudes a serem tomadas nesse caso. A primeira é tentar preservar o volume de água. "Isso tem um limite porque é preciso produzir energia", disse. A segunda seria promover o tratamento do esgoto.Dessa forma, a prefeitura de Alfenas resolveu construir uma estação de tratamento de esgoto que usará a tecnologia desenvolvida por Harleman. A estação deve estar pronta até o final deste ano, em um projeto que conta com a parceria da prefeitura e da iniciativa privada. Um grupo de estudantes do MIT está em Alfenas, fazendo investigação e coleta de dados. O pesquisador Christian Cabral, que estudou com Harleman no MIT e retornou ao Brasil, trabalha em parceria com o norte-americano. "O objetivo com o projeto em Alfenas é demonstrar o uso da tecnologia para as cidades que ficam no entorno do lago de Furnas e no Brasil, como um todo", justificou. De acordo com o pesquisador do MIT, o CEPT pode ser usado em cidades grandes como São Paulo. "No Rio de Janeiro, temos duas plantas com o sistema, uma na Pavuna e outra em Sarapuí, que fazem parte do Programa Baía da Guanabara", disse.A maior estação que usa o CEPT nos Estados Unidos fica em San Diego, e a maior do mundo é a de Hong Kong, que tem uma população de 3 milhões de pessoas.Além do Rio, no Brasil, a Riviera de São Lourenço, condomínio que fica em Bertioga, Litoral Norte de São Paulo, usou o sistema. Ele também já foi implantado em Tatuí e São João da Boa Vista, cidades do interior de São Paulo. "Esperamos ter os mesmos bons resultados dessas cidades em Alfenas", disse.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 20h15

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