Módulo de sonda espacial aterrissa em cometa pela 1ª vez

Do tamanho de uma máquina de lavar roupa, Philae fez história nesta quarta ao aterrissar sobre o 67P/Churyumov-Gerasimenko

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2014 | 14h40

Atualizada às 22h17

Em um dia histórico para a ciência, o robô Philae se tornou, nesta quarta-feira, 12, o primeiro artefato feito pelo homem a pousar na superfície de um cometa. Por volta das 14 horas (horário de Brasília), o equipamento - módulo de aterrissagem da sonda Rosetta, lançada ao espaço há mais de dez anos pela Agência Espacial Europeia (ESA) - pousou sobre o cometa 67P/Tchourioumov-Guérassimenko, apelidado de Tchuri, a cerca de 510 milhões de km da Terra. 

O feito inédito deverá ajudar a ciência a entender a origem do Sistema Solar e da própria vida. De acordo com Michael Küppers, um dos cientistas da equipe da operação Rosetta, os cometas são “cápsulas do tempo” que contêm matéria primitiva remanescente da época de formação dos planetas.

“Os cometas também são repletos de compostos orgânicos e existe a hipótese de que a vida tenha surgido na Terra a partir da queda desses objetos. Estudando os gases, poeira, estrutura do núcleo e materiais orgânicos no cometa, a missão poderá desvendar a história da evolução do Sistema Solar”, disse.

Segundo Küppers, a probabilidade de sucesso da missão era de 50%, porque o formato inusitado do Tchuri e sua baixa gravidade dificultavam o pouso. Segundo ele, havia a possibilidade de o módulo ricochetear, em vez de se fixar, ou errar o alvo e se perder no espaço. 

Pouso. O local onde o módulo pousou foi batizado de Agilkia. Havia sido escolhido apenas seis semanas após as primeiras imagens do Tchuri, coletadas pela Rosetta a partir de 30 a 100 quilômetros de distância. O cometa, cujo lobo maior tem cerca de 4 quilômetros, tem superfície cheia de pedregulhos, penhascos, precipícios e poços, com jatos de gás e poeira.

“Foram décadas de preparação para conseguirmos esse resultado. A viagem da Rosetta, desde 2004, foi um desafio técnico e operacional, que exigiu inovação e um trabalho de equipe extraordinário. Estamos extremamente felizes. Com certeza vamos fazer uma festa hoje.”

Comemorado em todo o mundo, o feito ganhou um doodle (logotipo especial e temporário do Google) em sua homenagem.

Antes do pouso, no entanto, a equipe da ESA viveu sete horas de tensão, enquanto o módulo, após se desprender da Rosetta, desceu em queda livre em direção ao cometa. Não havia como interferir no rumo do Philae, cujos comandos de aterrissagem são pré-programados.

Em seguida, surgiu outra preocupação: o sistema de arpões programado para fixar o módulo na superfície do cometa não funcionou. A ESA informou que isso não deverá comprometer a missão, já que o contato com o módulo não foi interrompido e as primeiras experiências já começaram. 

Agora, os cientistas já estão analisando dados do Philae. O robô trabalhará durante pelo menos dois dias e meio. Em seguida, uma segunda bateria recarregável será acionada. “O Philae poderá até trabalhar por algumas semanas, mas não sabemos ao certo. Como o cometa está se aproximando do Sol, dentro de alguns dias o calor destruirá os equipamentos. Mas a Rosetta continuará sua missão até dezembro de 2015.”

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